Mostrar mensagens com a etiqueta Nacional. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nacional. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

E pur si muove! "O que fará um Governo de Esquerda Socialista?"


É já neste fim de semana, a ver se é para dar continuidade e construir uma estratégia com cabeça, tronco e membros!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Boys, Boys, Boys... Fim de Regime e Alternativa



Há 10 anos quando fiz parte da Direcção da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, tive o privilégio de assistir às manobras e enfrentar a Boysada do PS e PSD (eram e são iguais). Eram oportunistas, sem referências (a não ser ligeiramente para efeitos de marketing e facilmente cambiáveis), o seu objectivo era a auto-promoção pessoal o seu principal método a subserviência face ao poder instalado (nas Universidades, no Estado e nas Empresas das quais esperavam vir a obter favores).
Lembro-me de falar com um colega que também tava na direcção da AEIST que tinha alguma simpatia pelo PS e lhe dizer:

"As figuras mais antigas do PS tinham referências, passaram pelo combate à ditadura, exílio, viveram o PREC, não estou nesse lado na luta mas reconheço que têm alguma profundidade e raízes... Mas estes agora que conhecemos, esta nova geração, não tem nada, só está aqui para se encher à custa de tudo e todos"

Passados 10 anos vemos o que é esta nova geração sem princípios ou referências algumas a chegar ao topo do poder ...  Gente que desde que chegou à Universidade (e alguns já vinham do secundário com essa escola...) e desde aí foi só safar-se à base de esquemas!!! Falsificar eleições, marcar datas de eventos eleitorais de forma a impedir concorrentes de participarem, desviar fundos das associações para empresas paralelas, difamar os adversários com as mais vis mentiras e sobretudo, nunca assumir nada, nenhuma crítica... Quando alguma coisa se aponta a defesa é sempre o ataque, uma lata descomunal! E claro a constante procura de artifícios para-legais para lixarem os outros... Esses meninos, agora já a passar dos trinta já não "brincam" com as AEs, agora é com o próprio Estado!!! A República está a saque! E se esta gente não for parada só vai continuar e aumentar!


Mas continuar, desta forma, a médio prazo parece-me insustentável, a questão é qual será a alternativa a este regime semi-mafioso e esta elite chico-esperta de vão de escada. O PP e Paulo Portas não dormem (estou farto de avisar), têm sido a oposição mais consequente e estão a facturar com este caso. A boca que o Paulinho mandou acerca de um Boy que ganha mais de um milhão de euros pa fazer recados ao Poder foi muito bem metida e aproveitam para fazer campanha ideológica contra o Estado, ou seja, o problema não é isto tar entregue a mafiosos e o Estado estar ao serviço de uma elite da tanga, segundo o PP o problema é a existência do próprio Estado em vários sectores da economia nacional... se ninguém rebater isto (coisa que ainda não vi)  é um argumento que vai fazer caminho.
Para além disso na geração dos 30 e abaixo não há só Boys (& Girls), há muita gente com capacidade, muitos executivos e quadros intermédios de empresas, gente que nunca se meteu muito na política, mas que se for mobilizada (e o PP começa a fazer isso um pouco, basta ver as suas últimas listas à AR) para o combate política serão uma força temível a ter em conta.

Face a isto, a Esquerda (e quem me disser que o PS, instituição, é Esquerda é porque ou é burro ou tem interesses escondidos... isto tá a ficar demasiado óbvio para se tolerar abébias) anda a dormir... O Bloco fez bem em propor uma comissão de inquérito para esclarecer esta embrulhada, aliás a melhor jogada do BE desde o início desta legislatura, mas é pouco.

É preciso perceber que estamos numa fase de fim de regime, o pântano que já dura 10 anos é insustentável, haverá mudanças drásticas quer queiramos quer não! E antes sejam mudanças que queremos do que as que nos forem impostas. O Caso Alegre vs Nobre é paradigmático das consequências de se fazer política sem estratégia, apenas navegando à vista. O Bloco tem de saber para que é que anda aqui?
- Para construir uma alternativa de regime?
- Para salvar o regime e reabilitá-lo?
- Para combater o PS ou influenciá-lo?
- Quer chegar sozinho ao poder, ou aliado a outras forças? Quais?
- Que compromissos está disposto a fazer?
- É para ser apenas força de resistência e protesto ou mais?
- Quer se construir como força com real implantação orgânica no terreno, ou ter uma política de intervenção social mais difusa?

É preciso dar respostas consequentes a estas questões e assumir os custos que qualquer delas têm. As respostas não são simples, nem lineares, mas tem de se defini-las.
O mínimo que se exige é a construção de um "Programa de salvação da República" com 5 a 10 pontos e o lançamento de uma convenção de regeneração da República que sirva de base a um programa de um Governo Popular de Salvação da Pátria, que leve a cabo mudanças estruturais na nossa economia-sociedade e que seja exemplo para aqueles que no resto da Europa também se movem neste campo.

Aliás já se fala por aí de "Pactos de Regime", em Espanha essa é a discussão do momento e cá também virá a ser. Que resposta daremos? "Não, porque é mau", sinceramente é preciso mais! Já está claro que golpadas à toa para obter alguns ganhos imediatos, tipo apoiar Alegre a um ano e meio das eleições, não vai dar em nada...

É com quase incredulidade que assisto ao facto da Esquerda (BE, PC e outros afins) ainda não se começarem a mover no sentido de construírem uma Alternativa de Regime... Parece que tá tudo a dormir... Não sei a que ponto será preciso chegar, mas, camaradas o espírito da coisa terá de ser este:


As Jornadas de 10 de Julho de 1792, evento decisivo da Revolução Francesa e da Modernidade


7 de Novembro de 1917, O Assalto do Palácio de Inverno, o evento mais marcante do século XX!


«Por muito menos rolou no cadafalso a cabeça de Luís XVI» Afonso Costa em discurso nas Cortes nos anos finais e decadentes do regime monárquico.


E olhem esta malta, Jacobinos e Bolsheviques, soube construir amplas alianças e fazer todo o tipo de compromissos, mas, lá está, tinham um rumo e estavam dispostos a TUDO para derrotar as trevas e fazer triunfar a Liberdade, Igualdade e Fraternidade! Para construir um mundo justo sem Senhores e Servos...

E nós? Há muito quem tenha uma certa filosofia que apelido de Nacional-Tótó, um cinismo misturado com senso comum básico e com horror ao sacrifício e a sujar as mãos, há uma música dos Beatles "You say you want a Revolution" que sintetiza bem essa postura. Este post que escrevi dá uma boa resposta, mas aconselho vivamente a visualização deste excerto de uma entrevista ao Zizeck sobre Robspierre e o Terror.



E para acabar aqui vos deixo com uma gravura da Revolução Francesa, a Liberdade lançando raios de Luz sobre o fanatismo e a ignorância.


sábado, 13 de fevereiro de 2010

As Saudades do Escudo e o Crepúsculo dos Deuses



Este slogan é por demais ilustrativo... por esta campanha publicitária da cadeia "low cost" de supermercados, vê-se, com toda a honestidade, o estado em que estamos...

Há ataques do exterior, embustes gigantescos, uma máfia pelintra e a suposta retoma não é mais do que uma miragem, e quanto mais tempo se passar sem mudanças fundamentais/estruturais as nuvens tempestuosas irão apenas adensar-se...



Esta Ópera é magnífica, A Marcha fúnebre de Siegfried, o Herói, da trilogia (ou tetralogia?) "O Anel dos Nibelungos" de Wagner... É o fim de uma era.
Se bem que ao ouvi-la, sinto muito mais um apelo à acção e olhar em frente do que a triste evocação de um passado de glória que já terminou. Até porque sei que há muito potencial na Nação... Mas, não vai ser fácil...
Depois tenho que ver se vou mais ao detalhe.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Notas Soltas(Alegre, Liderança, Haiti)

Diálogos do FacebooK...

Liderança

Há um tempo, um momento, um ponto de viragem a partir do qual todo o potencial de protesto se transforma em movimento. Esse momento não depende do voluntarismo messiânico de um qualquer D. Sebastião emergente do nevoeiro, seja ele Sebastião, seja Obama, Lula ou Chávez. Dependerá do desequilíbrio entre Energias potencia... (deste artigo)

Mas esse "desequilíbrio entre energias potenciais" não acontece em abstracto, materializa-se em movimentos concretos, com ideias próprias e os correspondentes líderes... Aliás nunca houve nenhuma revolução ou movimentação social sem "figuras de proa". No movimento dos direitos civis foi Martim Luther King, na luta pela independência da india e como ícone da não violência temos Ghandi. Aliás os movimentos que não tiveram esses líderes falharam todos... Porque é necessário que a energia esteja polarizada e orientada num vector, se está dispersa dissipa-se...

Acrescento agora que precisamos de mais ciência, mas não tanto para fazer alegorias, ou paralelismos, entre teoria social e teorias/princípios das ciências naturais. Precisamos é de usar ferramentas científicas e o método científico para análise da realidade e a partir daí construir as teorias sociais...

Alegre


Amigo:  xico... o que é que interessa se tem apoio ou não do PS??? o homem agirá de maneira diferente enquanto presidente dependente de quem o apoiou?

Moi: Obviamente

Amigo: ou seja o teu respeito por ele é zero. pelo menos eu só diria isso de alguém por quem eu n teria respeito

Amigo: ou sendo mais directo, tu estás a apoiar alguém que tu julgas ter acções diferentes consoante os apoios políticos que teve numa campanha já passada.
(esta n percebi bem, respondi logo ao comentário acima)

Moi:  Hum??? Eu diria isso sobre qualquer pessoa... A forma como se chega a um cargo é determinante na condução que se faz desse cargo. Tão ou mais do que as "convicções pessoais" do indivíduo. E sobre confiança, a minha no Alegre é muito baixa, acho é que instrumentalmente pode ser uma figura útil, mas fazer depender dele (Alegre) a estratégia para a saída da Crise Portuguesa é pura ingenuidade.

Acrescento isto: Qual a minha posição? básicamente se for um ariete para malhar no PS e uma figura que ajuda a polarizar forças à esquerda do Governo tudo bem, aliás óptimo! Se for com o apoio do PS será, e a teoria da gravidade tb se aplica (+-) aos fenómenos sociais, um capacho de Sócrates e da elite dirigente mais desenvergonhada... e então o Bloco não deve tar atrelado a isso.
Aliás a escolha do BE nas presidenciais devia estar enquadrada numa mais vasta estratégia de construção de alternativa ao regime actual. Mas parece que continua a navegar à vista...
Já agora vejam este post, até achei mt bem as iniciativas com o Alegre de à uns tempos atrás, mas camaradas, "rigidez estratégica e flexibilidade táctica!" (grande frase do Cunhal...) O problema é qd não se tem estratégia é complicado ter flexibilidade táctica...

Haiti

A catástrofe é tão resultado da catástrofe natural (obviamente) como das Golpadas do Império, aqui está um bom artigo, aqui está outro sobre o golpe promovido pelos EUA contra o primeiro presidente eleito do Haiti (o que é uma óptima prova de como o Império ama a democracia...).



Esta é a uma capa da Times de 1994... Já antes em 1915 também tinha acontecido, agora parece que é de novo a mesma, ou parecida, história, aliás quando começam a dizer que "não" é porque a coisa já está num estado avançado...

Entretanto Cuba, a pequena enorme Cuba, dá lições... Vejam: vídeo da CNN sobre hospital em condições em Porto-ao-Príncipe.  

Assim acontece...


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Revolução em Lisboa - 1383

«Se outros per ventuira em esta cronica buscam fremosura e novidade de palavras, e nom a certidom das estorias, desprazer-lhe-á de nosso razoado, muito ligeiro a eles d'ouvir e nom sem gram trabalho a nós de ordenar. Mas nós, nom curando de seu juizo, leixados os compostos e afeitados razoamentos, que muito deleitom aqueles que ouvem, ante poemos a simprez verdade que a afremosentada falsidade.»
Fernão Lopes




Já antes havia falado de como um Bastardo foi nomeado pela alvoraçada populaça Lisboeta em Defensor do Reino, impondo a sua vontade à grande Nobreza e Clero, mas também à hesitante burguesia... Não resisto a aqui colocar o relato de Fernão Lopes...  Cá vai com sublinhados meus...


Então o comum povo livre e não sujeito a alguns que o contrário disto sentissem lhe pediu por mercê que se chamasse Regedor e Defensor dos reinos, e ele vendo este seu grande desejo, e tendo ademais presente o conselho de frei João e dos outros que sobre isto lhe haviam falado, outorgou de o fazer contanto que eles se juntassem todos naquele dia, no mosteiro de São Domingos, para lhes haver de falar do que sobre isto entendia fazer em razão da sua ficada, pela qual tanto o requeriam, e eles disseram que tal lhes prazia muito. Junto nesse dia muito povo da cidade naquele mosteiro, expôs o Mestre como se entendia de partir do reino e as razões porquê, que já dissemos, depois, como lhe fora muitas vezes requerido por eles que todavia ficasse por seu defensor, e que ele se escusara disso por certas razões que logo lhes indicou, mas pois que eles tanto se afincavam a que todavia não partisse e ficasse na cidade, ele, para serviço e honra do reino, determinava em sua vontade de ficar, contanto que eles tivessem maneira de o servir e suportar naquela honra e estado que cumpria para defensão do reino.

E eles a uma voz, não esperando que falasse um por todos, mas quantos aí eram juntos, altamente disseram que lhes prazia muito de o servir e ajudar com os corpos e haveres até morrerem todos diante dele. E o Mestre respondeu então, que pois eles assim diziam e o queriam servir, que a ele prazia de tomar carrego de ser seu defensor e pôr o corpo a qualquer aventura por honra do reino e sua defensão e deles.

Quando o Mestre outorgou desta guisa de ter cuidado e regimento do reino, toda a tristeza foi fora das gentes e seus corações não deram mais lugar a nenhum passado medo, mas todos ledos sob boa esperança, fundada em bem-aventurada conclusão, se animaram para levar seu feito adiante, tendo grande fé em que Deus os havia de ajudar. E disseram logo ao Mestre que porquanto na cidade havia muitos honrados cidadãos que ali não estavam presentes, que estes fossem chamados à Câmara do Conselho e lhes fosse razoado e proposto tudo quanto ali fora dito, de guisa que outorgassem todos o que eles disseram e queriam fazer.

O Mestre disse que era muito bem, e foram ao outro dia todos chamados. E sendo assim juntos naquela Câmara da cidade, foi razoado por parte do Mestre como todo o povo miúdo o recebia por seu regedor e defensor, e que agora era a eles requerido se lhes prazia de outorgar aquilo que todo aquele povo tinha outorgado.




Não respondia ninguém, calando-se todos, e alguns falavam muito baixo à orelha dos que se sentavam à beira deles, além de que não dava nenhum resposta que mostrasse que consentia em coisa que os outros dissessem, não por a eles não lhes aprazer de a cidade e o reino serem defesos dos inimigos, mas porque todos estes duvidavam muito de tal coisa poder ir adiante e haver depois bom fim, e no entanto já a vontade do povo miúdo era muito pelo contrário. Depois tinham grande receio da Rainha lhes acoimar isto com grandes tormentos, como fora feito no tempo delRei dom Fernando quando lhe contradisseram o casamento dela com ele.

E duvidando estes que foram chamados, e não respondendo ao que lhes diziam, era ali muito povo junto, entre o qual estava um tanoeiro que chamavam Afonso Anes Penedo, que estivera presente com todos os outros quando se juntaram em São Domingos outorgando de receber o Mestre por senhor, e vendo que não falava nenhum dos mais honrados da cidade que eram presentes, começou de andar passeando-se, e pôs a mão numa espada que tinha cinta e disse:

Que estais vós outros assim cuidando? E porque não outorgais o que outorgaram quantos aqui estão? E como! Ainda vós duvidais de tomar o Mestre por regedor destes reinos, e que tome carrego de defender esta cidade e nós outros todos? Parece que não sois vós outros verdadeiros portugueses. Digo-vos que, quanto a por essa guisa, buscai-nos vós que sejamos todos cedo em poder de castelhanos.

Entretanto trocavam-se entre eles algumas razões sobre isto, mas nenhuma resposta se dava qual cumpria, porquanto esses maiores se receavam muito das razões que já ouvistes.

Então aquele tanoeiro acima nomeado pôs outra vez a mão na espada e disse contra aqueles a quem se fazia tal requerimento: 
Vós outros que estais assim fazendo? Quereis vós outorgar o que vos dizem? Ou dizei que não quereis, pois eu nesta coisa não tenho mais aventurado que esta garganta, e quem isto não quiser outorgar logo é forçoso que o pague com a sua antes que daqui saia. 
E todos os que aí estavam do povo miúdo aquela mesma razão disseram.

Vendo os que foram chamados o alvoroço que todos faziam e que lhes não convinha ter nisto outro jeito em contrário, outorgaram então quanto os outros tinham prometido, e foi assim escrito e assinado por suas mãos. E desta guisa foi o Mestre tomado por Regedor e Defensor do reino, na qual regência e defensão que fez bem se mostrou depois sua virtuosa ardideza, como adiante podereis ver.


Má Nada!!!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Breves Notas sobre a ETA e o Estado Espanhol

Recentemente dois presumíveis operacionais da ETA foram presos em portugal, abaixo deixo o comunicado emitido pela Associação de Solidariedade com Euskal Herria (ASEH). Tem informação relevante de que pouco ouvimos falar, mas antes disso umas breves notas mais gerais:




- O Estado Espanhol, mais recentemente encabeçado por Zapatero, sempre impediu (a última tentativa foi acerca de dois anos...) a realização de um referendo no País Basco para que quem hoje lá vive possa livremente decidir se quer continuar, ou não, a fazer parte do Estado Espanhol (ou do Império Peninsular de Castela...). Os povos têm direito à sua auto-determinação, o que nem sempre implica independência, podem livremente associar-se em federações, mas a questão é que ao Povo Basco nunca foi dada a liberdade de livremente decidir do seu destino. Aliás, dado fundamental! O País Basco foi a única região de espanha que no final dos anos 70 não aprovou a constituição da "transição pacífica", do Estado Fascista de Franco para o "Democrático", enquanto em todas as outras regiões a nova constituição foi recebida de braços abertos, o povo basco rejeitou-a porque lhe negava o direito à auto-determinação.

- Não acho que neste momento fazer atentados seja uma grande estratégia (aliás muitos foram completa e totalmente contra-producentes e só serviram para prejudicar a luta independentista, objectivamente...), a única coisa que conseguem neste momento é provar que ainda existem... Penso que a aposta num referendo, mesmo que não autorizado, ou considerado legal por Castela, seria mais acertada e teria impacto local e internacional... Mas quando a ilegalização de partidos, jornais, manifestações, etc... mantém-se por parte do Império Castelhano é difícil seguir o caminho da PAz, sobretudo quando já há gente que leva muitos anos disto... de qq das formas, neste momento, parece-me que o "caminho da paz" seria o mais produtivo...

- Existem centenas de presos da ETA nas masmorras Castelhanas, existem evidências claras de tortura, aliás a luta suja contra a ETA já teve vários episódios tenebrosos, como os esquadrões da morte GAL! Neste momento, sem conhecer os pormenores da lei portuguesa, parece-me bem não repatriar estes dois Bascos, não tenho a certeza, mas creio que Portugal (e muito bem a ser verdade) não extradita presos para países onde sabe que serão torturados, este é exactamente um dos casos onde há essa certeza...

- Para além de um referendo, uma amnistia geral seria necessária, para os operacionais da ETA, dos GAL e torturadores das masmorras Castelhanas... Para tod@s... Porque há muitos que têm as mãos sujas de sangue, à poix é bébé...

Abaixo segue então o comunicado:


Comunicado da ASEH sobre a detenção de dois supostos membros da ETA

Perante a notícia da prisão, em Portugal, de dois supostos membros da organização independentista basca Euskadi Ta Askatasuna (Pátria Basca e Liberdade), a Associação de Solidariedade com Euskal Herria (ASEH) vem alertar para o facto de haver centenas de independentistas bascos nas prisões espanholas que foram submetidos a métodos brutais de tortura. Este facto foi comprovado pelo Relator da ONU Contra a Tortura, pela Amnistia Internacional e por muitas outras organizações de Direitos Humanos. A extradição destes dois cidadãos bascos configuraria um sério risco para a sua integridade física e psicológica. Com a possibilidade de violação de direitos humanos, esta opção não pode ser senão rejeitada.

Com factos ainda por confirmar, a ASEH espera que não se tenha permitido, como acontece no Sul de França e no País Basco sob administração francesa, a entrada de forças policiais espanholas. Isso configuraria uma grave violação da soberania nacional portuguesa e uma maior submissão à estratégia repressiva do Estado espanhol, depois do acordo entre os dois países para permitir o trabalho de dezenas de polícias espanhóis no nosso território.

A ASEH denuncia também o desaparecimento, há quase nove meses, de Jon Anza, no Estado francês, em circunstâncias ainda por esclarecer mas que fazem prever o regresso ao terrorismo do Estado espanhol sobre independentistas bascos. Durante os anos 80, sob o governo de Felipe González, dezenas de cidadãos bascos foram assassinados por paramilitares a soldo do Estado espanhol.

No passado dia 2 de Janeiro, apesar da ameaça de proibição, cerca de 50 mil pessoas manifestaram-se em Bilbau pelo fim da repressão contra os presos políticos bascos e pela democracia no País Basco. Nela participaram vários partidos e sindicatos. A situação que se vive é largamente ignorada pelos meios de comunicação social. A repressão não se abate apenas sobre militantes da ETA. O Estado espanhol ilegalizou dezenas de partidos, fechou jornais e rádios, proibiu organizações juvenis e proíbe manifestações.

Consideramos que deve ser reconhecido ao povo basco o direito à autodeterminação. Cada povo deve poder decidir o seu próprio futuro. Este é um direito reconhecido pelas Nações Unidas e ignorado pelos Estados espanhol e francês.

--
Associação de Solidariedade com Euskal Herria

borrokabidebakarra@gmail.com
http://www.paisbasco.blogspot.com


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Boas Entradas e 2010, Viva a República!


Pois é, 2010 já bate à Porta! A década dos anos “o” (como chamar esta década ??) já lá vai, a dos anos 10 avizinha-se!
A única certeza que tenho é que vai ser ainda mais “emocionante” de que os primeiros 10 anos deste século.
Mas não vou teorizar muito, para celebrar a entrada no novo ano escolho partilhar um pouco de uma prenda de anos/natal que recebi… Uma agenda e calendário para 2010 alusivos ao centenário da República!



É um verdadeiro festival de iconografia Republicana! E ehehehe, é uma edição limitadíssima, 500 exemplares! Atão não era de mandar isto, no mínimo, a todas as escolas primárias???
Enfim… a verdade é que enquanto virem a República como pertencendo a uma elitezinha, o seu destino está condenado a repetir-se… à poix é bebé…

De qualquer das formas, aqui vos deixo, com desejo de boas entradas, o ícone que mais me fascinou, é a figura do mês de Dezembro, ehehehe…



É caso para dizer, bom 2010 e Viva a República!
Tem 100 anos, mas tá cheia de bom aspecto e com ar mais moderno que muitas que prái vão…


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Greve dia 24 de Dezembro, Solidariedade Total!


Uma luta pela Dignidade e Justiça!

 "Não queremos voltar ao século XIX"

Toda a solidariedade com os trabalhadores/trabalhadoras das grandes superfícies em greve na véspera de Natal!





Esta é daquelas lutas que considero determinantes para determinar que tipo de sociedade teremos no futuro. Pela importância do sector em causa, porque é uma classe que considero importantíssimo organizar-se e ganhar consciência e porque o que os "Patrões" das grandes superfícies pretendem fazer é o que em breve todos farão... a não ser que a malta se organize... e pior ainda está pa vir, lá está, se a malta não se organizar!


sábado, 5 de dezembro de 2009

Viva Chavez e a V Internacional

Chavez apela à formação da V Internacional !!!



 O Processo Revolucionário Bolivariano e a sua Liderança continuam a abrir caminho, já por várias vezes chamei atenção para uma evidência:

- Neste momento, e desde 1999 (data em que ganhou a primeira de mais de uma dezena de eleições sempre consideradas justas por todos os observadores internacionais), a Revolução Bolivariana é o maior desafio ao Imperialismo e ao Capitalismo predador "Neo-Liberal". Não há no mundo processo que rasga mais caminho no sentido de um mundo mais Justo, Igual, Fraterno e Livre.

A Esquerda portuguesa tem muito, muito a apreender com o que se passa pela América Latina, neste rectângulo virado para o mar vivemos num contexto Sócio-Económico bem diferente do Venezuelano, mas uma várias lições devíamos aproveitar,

Menos Cinismo e Cepticismo, mais pensamento inovador! 
Mais vontade de encontrar soluções para alargar os limites do possível e menos desculpas para justificar os fracassos!
Mais Radicalidade no pensamento e acção, bem menos sectarismo!


As declarações do representante do BE foram enfezadas (pelo que li no arigo do DN)...  Sem se colar completamente às declarações de Chavez poderia ter aproveitado a deixa para referir que este é um caminho que tem de começar a ser trilhado...

Entretanto nem que seja por conseguir ter marcado a agenda este chamado valeu a pena. O Processo que ambiciona construir o "Socialismo do Século XXI" (e na pratica o vai implementando!!!!) é o mesmo que agora lança este chamado!

Viva Chavez!

Viva a Revolução Bolivariana e o Socialismo do Século XXI!

Viva a V Internacional!


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Marcha pelo Ensino Supeior, pequena homenagem

Ontem dia 17 de Novembro teve lugar a "Marcha pelo ensino superior", eram 3000, não era uma multidão, mas para a forma como foi divulgada, e sobretudo, tendo em conta que é o primeiro protesto do género, foi um número que cumpria o mínimo exigível.
Para além dos números o ambiente estava muito positivo, quem foi dá me ideia que gostou. Este poderá ter sido um passo importante na reconstrução de um movimento estudantil com o mínimo de capacidade para influenciar a agenda política. Alguma reflexão mais apurada pode ser encontrada aqui ou aqui.
Com cabeça e alguma pica talvez se consiga fazer algo significativo a partir daqui.

E acabo com uma experiência/homenagem



Reportagem video aqui.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

José Carvalho, Assassinado há 20 anos por um Bando Nazi



Justa Homenagem, em boa altura vem esta iniciativa... Só 5 euritos e com direito a bebida, a não perder... Abaixo segue o "press release" a explicar a iniciativa.

Vinte anos depois do assassinato, a APSR organiza uma festa/concerto de homenagem a José Carvalho, com seis bandas rock e um vídeo evocativo do Zé da Messa. O encontro é na sexta-feira, 30 de Outubro, às 21h30 na Caixa Económica Operária, em Lisboa.

No dia 28 de Outubro de 1989, um grupo neonazi de cabeças-rapadas assassinava José Carvalho à porta da sede do PSR, onde decorria um concerto antimilitarista.

José Carvalho - o "Zé da Messa", como era conhecido por todos - fez parte da Comissão de Trabalhadores da Messa, a empresa de máquinas de escrever que em tempos foi o maior empregador no concelho de Sintra, com mais de mil e quinhentos trabalhadores. Em 1985 fechou portas, deixando centenas de pessoas com salários em atraso. Nos anos seguintes, o Zé da Messa foi um dos activistas que organizaram a luta pelos direitos destes trabalhadores.

Dirigente do PSR desde o fim dos anos 70, José Carvalho foi um dos impulsionadores do trabalho antimilitarista do partido, após ter participado nos SUV - Soldados Unidos Vencerão, um movimento de militares pela democracia nos quartéis constituído em 1975. Doze anos mais tarde, foi um dos responsáveis pela organização dos concertos do bar das Palmeiras, que envolveu dezenas de bandas rock contra o serviço militar obrigatório. Foi num destes concertos que viria a ser assassinado pela extrema-direita.

Vinte anos depois, a Associação Política Socialista Revolucionária organiza uma festa/concerto de homenagem a José Carvalho, com seis bandas rock e um vídeo evocativo do Zé da Messa.

A festa/concerto terá lugar no dia 30 de Outubro, na Caixa Económica Operária, em Lisboa, a partir das 21h30, com as bandas Albert Fish, Ex-Votos, Dalailume, Revolta, Gazua e Peste & Sida.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Balanço com História

Aviso Prévio

Publiquei este texto como um post corrido, no entanto a formatação estava a dar cabo da cabeça, para além disso era longo demais para um post... Por isso está aqui o ficheiro em word (que contém as linkagens, tb n são muitas) e abaixo podem ler e sacar em pdf.


Entretanto deixei os Bonecos e os títulos e sempre fica um post mais agradável, quem se quiser rir e pensar um bocadinho sobre o assunto veja os ficheiros.





Para que é que isto serve?











Assim, este Balanço será focado nos problemas (não todos e a selecção é minha) e claramente construído de forma a melhor perspectivar o que teremos de fazer para ter um Bloco que seja catalizador e representante de um forte movimento popular capaz de impor as mudanças e as políticas que o País necessita pa responder à crise.













A Convenção Primeira





Análises e Caracterizações Germinais





L'ÉTAT C'EST MOI e a terra queimada













Heróis e Políticas




A Teia de Penélope






Em Conclusão








quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Uma análise "científica" e a Discussão Necessária

Antes de tirar grandes conclusões acho importante compreender bem o terreno do jogo... Aliás uma das coisas que mais me faz confusão são análises superficiais e pouco sérias dos problemas.  O Socialismo científico pode estar fora de moda, mas no mínimo devemos tentar fazer uma análise "científica" da realidade.


Aqui faço um parêntesis, coloco a palavra científico entre aspas, pois parece-me abusivo chamar científico a qualquer estudo da sociedade humana e sua evolução, isto porque é virtualmente impossível isolar problemas e sobre os problemas isolados fazer experiências controladas. Nesse sentido tb considero abusivo chamar-se ciências sociais à História, Antropologia, Sociologia e mesmo à economia... Mas como é o consenso, pelo menos do senso comum, utilizo o termo.
Em conclusão do parêntisis, ao fazer um balanço da nossa prestação eleitoral, ou em que campo da luta social for, devemos sempre proceder a uma análise sistemática, rigorosa com o máximo de informação possível, tentando perceber quais os factores mais determinantes para que o curso dos acontecimentos tenha sido o que foi e não outro.


Portanto, apresento vos aqui umas quantas tabelas e gráficos com alguma informação organizada referente às últimas eleições.
Basicamente o que fiz foi seleccionar 57 concelhos, todas as capitais de distrito e das regiões autónomas (menos Portalegre onde o BE n apresentou lista), concelhos das áreas metropolitanas/Distrito do Porto e Lisboa, Margem Sul e e mais um ou dois de Setúbal, vários em Santarém, vários no Algarve e em cada Distrito não mencionado (e que são os mais pequenos ou onde o BE goza menos implantação) mais um ou dois concelhos... A maior parte deles concelhos onde o Bloco teve grandes votações. Portanto esta não é uma lista de todos os conselhos onde o BE concorreu!!! Os critérios foram os que acima expus!
Ou seja, estão mais representados os Distritos de Lisboa, Porto, Setúbal, Santarém e Algarve, nos outros distritos está a capital de distrito e concelhos onde o BE obteve mt boas votações.
Para cada um dos concelhos comparei os resultados obtidos para a Câmara Municipal, eleitos para a Assembleia Municipal e eleitos para a Junta de Freguesia destas eleições (2009) com o das anteriores (2005) eleições autárquicas.


1 - Este Primeiro gráfico compara o resultado obtido pá Câmara nas Capitais de Distrito (ordenado pela que obteve maior votação para menor, nas eleições de 2009)







2 - Esta tabela acrescenta a informação dos mandatos obtidos.




3 - Aqui está a lista dos 57 concelhos agrupados por distrito.




4 - Aqui está a lista ordenada, do concelho onde se obteve maior votação para menor (na Câmara em 2009)




5 - Aqui está a lista ordenada, do concelho onde se subiu mais para o onde se desceu mais




6 - Aqui está o Gráfico e Tabela dos resultados no Distrito do Porto





7 - Aqui está o Gráfico e Tabela dos resultados no Distrito de Lisboa


(Aqui está o ficheiro excel se o quiserem! tem uns filtros, setinhas no cabeçalho da tabela que permitem seleccionar e ordenar a lista; se clicarem nas imagens vêm com maior detalhe, espero que curtam os rankings ehehehe)

Constatações
O Bloco nos Distritos do Porto e Lisboa desce em relação às últimas eleições (fora algumas excepções, como o próprio Concelho do Porto no Porto). Em Setúbal, Santarém, Coimbra e Algarve os resultados são mais positivos (embora haja subidas e descidas).
Nos locais onde o Bloco já se encontra implantado desce, mantém e há poucas subidas. O Bloco ganha mais nos locais onde nunca antes tinha concorrido, aliás se não fosse o facto de ter concorrido a muito mais conselhos e freguesias teria obtido resultados globais inferiores aos de 2005.
Não se tratou do concelho de Lisboa, ou do Distrito, os resultados obtidos demonstram um recuo nas zonas onde já temos implantação, a questão não é "temos muito a aprender e a caminhar", é mais, estamos a andar para trás e a desaprender!
Ou seja, não foi apenas um resultado abaixo das expectativas, foi um resultado inferior ao de 2005 nas áreas onde já tínhamos presença autárquica (estou a falar da tendência dominante, da regra).

Logo, um balanço como este feito no Esquerda, é claramente insuficiente face aos dados em presença.


Discussão Necessária


Para mim isto é revelador não apenas do trabalho autárquico, mas da própria estratégia seguida e de várias escolhas que a Direcção tem vindo a tomar desde o início do Bloco. Certas ou erradas (lá chegaremos a seu tempo) todas as escolhas têm custos e toda a táctica e estratégia têm de ser revistas de quando em quando face à alteração do ambiente em que nos movemos (até em virtude das nossas bem sucedidas acções).


Tal como disse aqui dias antes do resultado das legislativas...


muito do eleitorado que vai votar nele assim o fará por INCOMPETÊNCIA E PRECONCEITO da Direcção do BE, a ver vamos se ele não consegue ser a 3ª força política, se o conseguir haverá responsáveis e a causa não será (como alguns básicos armados em pseudo intelectuais da tanga irão dizer) o povo ser estúpido.


Pois é, muito bom militante(e até dirigente!!) culpa o povo e não as escolhas erradas do Movimento/Partido na altura de analisar os resultados. Essa atitude é equivalente a fugir para um beco sem saída!
A questão é: como temos agido obtivemos estes resultados (e os das Europeias e das legislativas que não foram nada maus), a agir da mesma maneira quais serão no futuro? Inclusive nas legislativas, presidenciais ou europeias? (sim pq nas autárquicas a seguir o mesmo rumo o resultado será obviamente ainda pior).

Mais, podemos inventar as desculpas que quisermos, que somos mt coerentes e blá blá blá... mas a questão permanece, face ao desafio que tínhamos pela frente agimos da melhor maneira? Tudo o que foi feito estava correcto? Com diferentes escolhas poderíamos ter atingido diferentes resultados?


Quanto a mim é necessária uma nova análise do país e do mundo, daí retirar uma nova estratégia geral que enquadrará novas políticas:
- para todos os sectores a organizar;
- para as necessárias convergências a realizar;
- para ir dando a mais adequada resposta aos interessantíssimos eventos que iremos assistir no plano Políticó-Social.


Digo-vos mais, para mim essa discussão deveria ter culminado na V Convenção do Bloco (logo a seguir às presidenciais de 2005), não aconteceu. Em 2006, ainda em boa hora, foi lançada a discussão acerca do "Rumo Estratégico", que depois ficou em "águas de bacalhau"...


OU AGORA TEMOS ESSA DISCUSSÃO E SE ESTABELECEM NOVOS PLANOS, OU A CONTINUAR O MESMO CAMINHO O DESTINO É O ABISMO


Escutem bem, posso me enganar, mas não afirmo nada, repito, nada, de forma gratuita...
E relembro, independentemente de saber se as escolhas passadas foram correctas ou erradas, importa perceber se daqui para a frente serão as mais adequadas!


Felizmente o debate já começou!!! Agora só pode, só tem, de prosseguir!


Estamos longe de novos confrontos eleitorais em que o partido esteja envolvido e num momento em que o Bloco sai politicamente reforçado deste circulo eleitoral, apesar dos resultados das autárquicas que levantam muitas questões sobre a estratégia seguida pelo Bloco (eles são um preocupante retrato do trabalho do partido no terreno). Mas o Bloco tem pela frente um novo momento, com um governo minoritário e uma crise social e económica. Não pode adiar mais um debate que seja. 



Este problema é o da redução da vida partidária à vida parlamentar, da comunicação política ao espaço mediático dominante, das bases e dos meios da militância (mais ou menos partidarizada) a um núcleo dirigente e seus assessores. Este núcleo dirigente e seus assessores, cuja generosidade e competência não está em causa (como não esteve, nunca, nas críticas feitas à direcção do PCP por alguns dos seus críticos internos), detém demasiado poder para um partido que pretende reinventar democraticamente as formas de fazer política. 


Que o Bloco tem muito que aprender já se sabe, já muitos o vieram dizer. Espero que este debate que se tem gerado, por apoiantes e opositores, em torno deste fracasso eleitoral do Bloco, venha de facto contribuir para relembrar em militantes e simpatizantes, mas sobretudo, naqueles que dirigem este partido, que nada disto são favas contadas, que importa pensar todos os dias se a estratégia seguida se adequa ou não, refazê-la quando for preciso, e ouvir sem preconceitos quem queira contribuir.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Parabéns Cascais! Resultados Distritais (n foi só no conselho...)

Um bocado nesta linha, antes de mais saudar o único conselho da Grande Lisboa (a norte do tejo) em que o BE reforçou a sua votação, CASCAIS.
No último dia de campanha, 8 de Outubro, fui até ao Fim do Mundo, bairro que fica à entrada de S. João do Estoril de quem vem da A5.
Recentemente no Bairro foi construído/melhorado uma igreja (Católica) e centro paroquial com creche e outras instalações, com dinheiros da República, é claro. O problema é que as pessoas do Bairro n arranjam lugar na creche, não há vagas pós putos... já tá tudo preenchido...
Este problema foi o mote pa um teatrinho que decorreu no próprio bairro...





Não foi uma acção de massas, mas para além de haver o potencial para isso, não deixou de envolver os locais e de passar a mensagem do BE a mt gente e da q mais precisa... Foi mais do q os activistas do costume a fazer performances pá televisão, ou coisas no género... Aqui houve envolvimento real com a população e focou-se um problema mt específico apartir do qual mt mais pode ser dito...
Nestes 10 anos de existência pq é q o Bloco nunca fez um comício a sério na Cova da Moura? ou noutros bairros estigmatizados, Porquê? Nada me parece mais frutífero e necessário... 

Também de Cascais não resisto a colocar as fotos da "arruada" pelo Paredão... Também é preciso e foi simbolicamente importante.



Em seguida coloco gráfico e tabela com comparação dos resultados desta eleição e da de 2005, na tabela está incluído o resultado para a Câmara e o número de eleitos (por conselho) para a Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia.








Só Cascais sobe, na Azambuja n houve lista em 2005... É verdade que a a gestão feita pelo BE do caso "Sá Fernades-Acordo (ou GOLPADA) de Lisboa" não foi a melhor... e aí devo dizer que não há, repito, não há inocentes e que a forma como o Bloco decidiu gerir o processo não foi a melhor (era pa cortar logo, ou apostar... mas enfim...). No entanto essa é apenas uma pequena parte da explicação, é que isso não explica como em todo o distrito, com ou sem pressão do voto útil, em diferentes contextos locais, os resultados do BE foram sistematicamente inferiores aos das AUTÁRQUICAS de 2005. Excepção CASCAIS. E sabem que mais, não foi só no Distrito de Lisboa. Em regra, os resultados do BE nos locais onde já estava implantado (Grandes cidades e Arredores)  foi manter ou descer... No Porto bem vistas as coisas, o resultado até foi dos mais positivos... O Bloco só consegue uma subida marginal pq apresenta novas candidaturas em 50 conselhos (ou à volta disso)... É positivo este aumento em extensão, mas em intensidade está a diminuir...

Basicamente, "Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto" , e honra seja feita a quem lançou a primeira pedra, mas tem que se ir bem mais fundo, aqui e aqui já estão algumas pistas... Nesta passagem Daniel ainda coloca um bom ponto...
Mas estas não são, longe disso, as primeiras eleições em que o Bloco se confronta com a pressão do voto útil. E tem conseguido resistir. A razão porque o apelo ao voto útil desta vez funcionou no núcleo duro do eleitorado do Bloco e não apenas nas suas franjas é não ter sido dada nenhuma razão para que o voto ali se mantivesse.

Que perceba que esse apelo só foi muito mais eficaz desta vez porque o eleitorado não conseguiu perceber a estratégia do Bloco. Fui falando com muitas pessoas, daquelas que votam sempre no Bloco, e foi isso que fui ouvindo: perante a pressão do voto útil precisavam de compreender o que queria o Bloco fazer com o seu voto em Lisboa. E não percebiam. E entre essa incompreensão e a “utilidade” do voto em Costa escolheram a segunda. Não é nada difícil de compreender.

Voltando a Cascais (e à acção de 2001 de que falei neste post), sobretudo é preciso aprender com o que de bom vamos fazendo e isso é que tem de ser o eixo da nossa política... mAS as Cenas fixes nunCa gostaM... Pá n pode ser.
Há uma revisão/definição Estratégica a fazer e é AGORA.