Natal, antiga celebração pagã da luz, os romanos tinham um festival por esta altura em que acendiam uma data de velinhas, isto porque celebravam o fim do diminuir dos dias, ão de reparar que o Natal é bem perto do solestício de inverno, o dia mais curto do ano, depois desse dia o tempo de luz diário aumenta em vez de diminuir... pelo menos no hemisfério norte, que é onde esta história tem origem. Para além desse festival das velinhas, alguns dos hábitos do Natal (como dar prendas) tem origem num outro festival Romano que é muito mais Hardcore que a cena das velinhas…
Mas hoje em dia o Natal que celebramos tem raízes no cristianismo, a palavra Natal significa nascer e supostamente celebramos o nascimento do "salvador", o "filho de deus" que veio à terra para redimir os pecados do mundo, que morreu na cruz para salvar-nos a todos, pecadores... O cordeiro de deus...
Bem isto é a história que Saulo de Tarso, mais conhecido como São Paulo, construíu, na verdade a palavra Cristo (uma palavra grega) pouco é referida nos evangelhos, aliás acho que nunca, isto porque foi São Paulo que introduziu esse conceito. No fundo o que chamamos de cristianismo é uma mistura dos ensinamentos de Jesus da Nazaré com a Teologia propagada por São Paulo, que já agora, para além de contribuir com a Teologia foi também fulcral na construção-organização-unificação das primeiras comunidades cristãs, foi ele verdadeiramente o fundador do cristianismo.
E qual o papel de Jesus, aquele que amanhã celebramos o nascimento, no meio disto tudo? Jesus foi um profeta, de muitos que antes e depois, andaram por aquelas paragens... A mensagem, as palavras que semeou foram a inspiração para o movimento ideológico que, provávelmente, mais condicionou a História da humanidade, mas como em cima referi, entre a sua doutrina original e o que se tornaria mais tarde em Cristianismo, depois Catolicismo e Ortodoxia, depois ainda Protestantismo(nas suas várias matizes) e milhares de seitas e tendências que foram surgindo e desaparecendo ao longo dos tempos... Enfim, entre os seus ensinamentos e a ideologia propagada por todas essas organizações vai uma certa distância. E que ensinamentos são esses? Aqui vai um lamiré…
«Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte. Depois de se ter sentado, os discípulos aproximaram-se dele. Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo:
"Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu.
Felizes os que choram, porque serão consolados.
Felizes os mansos, porque possuirão a terra.
Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.
Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu."»
Mateus 5, 1-10
O Reino dos Céus, essa foi a sua mensagem, mas o que é o reino dos Céus?
«O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer,torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.»
Mateus 13, 31-32
(Já agora os primeiros cristãos não adoravam um homem pregado na cruz, as suas imagens eram de peixes e do "Bom Pastor", só no século IV-V, quando os cristãos eles próprios começaram a pregar pagãos e dissidentes na cruz é que adoptaram o cruxifixo, com cristo lá pregado, como seu símbolo principal)
«Aproximavam-se dele todos os cobradores de impostos e pecadores para o ouvirem. Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles.»
Jesus propôs-lhes, então, esta parábola:
«Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar? Ao encontrá-la, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, convoca os amigos e vizinhos e diz-lhes: 'Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida.'
Digo-vos Eu: Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão.»
Lucas 15, 1-7
Muito mais haveria a dizer, fica esta breve introdução, e por agora camaradas, desejo-vos um Bom Natal e deixo-vos com estas sábias palavras…
«Envio-vos como ovelhas para o meio dos lobos; sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas.»
Mateus 10, 16
Toda a solidariedade com os trabalhadores/trabalhadoras das grandes superfícies em greve na véspera de Natal!
Esta é daquelas lutas que considero determinantes para determinar que tipo de sociedade teremos no futuro. Pela importância do sector em causa, porque é uma classe que considero importantíssimo organizar-se e ganhar consciência e porque o que os "Patrões" das grandes superfícies pretendem fazer é o que em breve todos farão... a não ser que a malta se organize... e pior ainda está pa vir, lá está, se a malta não se organizar!
Este é o Palácio Nacional de Sintra, ultimamente passei por aqui umas quantas vezes, ao contemplá-lo, relembrei-me sempre da Dinastia de Avis, a segunda dinastia...
Foi durante esses 200 anos, 1385-1580, que Portugal se fez ao mar (e à terra...) e construiu a primeira rede que uniu os 5 continentes, fomos "nós" os primeiros a unir e por em contacto permanente e simultâneo Europa, África, América, Ásia e Oceânia... O que, obviamente, mudou completamente a história da humanidade... Não é, definitivamente, coisa pouca.
Bem, isto vem tudo a propósito de um livro que li à pouco tempo, "As Avis - As Grandes Rainhas que Partilharam o Trono de Portugal na Segunda Dinastia", fui inclusivé, à sua apresentação (a autora é minha prima, tudo tem uma explicação...) e gostei do que lá se disse, que foi muito além das estórias das rainhas... Para começar eram 4 mulheres na mesa e discutiu-se o papel que as mulheres jogaram ao longo da história e nos dias de hoje...
Não farei uma crítica literária (mas já agora, aqui têm uma entrevista dada pela autora), mas o livro é riquíssimo em informação e dá uma visão panorâmica de 200 anos de história que moldaram o futuro da humanidade de uma perspectiva que não é a mais comum... Portanto o que me ocorre é...
Filhos da Revolução
Antes de mais convém não esquecer como começa esta história, D. João I, é um bastardo irmão de D. Fernando, o rei que deixou o Reino nas mãos da sua mulher (Dona Leonor), uma Castelhana que ia entregar o país a quem de direito, o Rei de Castela...
Só que o Povo de Lisboa tinha outros planos, parte da nobreza mais baixa também não estava lá muito satisfeita com o negócio e os mercadores também não... Vai daí e o poder caiu na rua! (e ainda bem!!!)
A coisa começa com D. João I, à altura "O Mestre", pouco depois conhecido como "O Messias de Lisboa", a assassinar o Conde de Andeiro, depois disso a populaça entra em alvoroço e irrompe a fúria popular!!! Uma das vítimas é o Bispo de Lisboa que é atirado da torre da sé (um castelhano q n devia ser nada boa peça...)!!!
Pelo Alentejo e em muitas cidades acontecem estórias semelhantes... resumindo, depois disso, em Lisboa há uma assembleia popular e é nessa assembleia que o "Mestre" é nomeado pela populaça como "Defensor do Reino", no dia seguinte há uma assembleia de notáveis da cidade, estes hesitam em dar tão ousado passo, mas um tanoeiro avisa-lhes que ou nomeiam o "Mestre" defensor do reino ou pura e simplesmente não saem do edifício vivos... é um forte incentivo e assim começa a história que acaba connosco a "unificar" todo o mundo.
Avançando... o Bastardo tornado Rei pela populaça acaba por conquistar a sua legitimidade no campo de batalha e pelo respeito do povo. Escolhe para se casar uma princesa Inglesa, Filipa de Lencastre, dessa união nasce a "Ínclita Geração"
É um casamento saudável, que dá origem a gente saudável e é o início de uma epopeia de proporções épicas, todo o Reino "frutifica". Há muitas dúvidas sobre os painéis de S. Vicente, mas é certo que muitas das personagens desta história estão lá retratadas, mesmo que não se saiba exactamente, quem é quem.
O que é certo, também, olhando para os painéis (estão no Museu de Arte Antiga) é que eles representam uma gente, como ei de dizer... vê se que é uma malta à altura do momento histórico que viviam, é malta com ar sábio, forte e generoso...
Aliás Filipa de Lencastre é a única Rainha que acaba por desempenhar um papel positivo nesta história, as restantes ou fizeram mal, ou muito, muito mal à Nação...
Consanguinidade, Traição e Inquisição Depois de D. João e Dona Filipa, o
"Dark Side" começa a exercer a sua influência e conjugam-se vários
factores:
- A Castela Imperial aqui tão perto
começa a exercer o seu efeito polarizador, é por estas alturas que
a Península Ibérica finaliza o caminho para a unificação... Aragão e
Castela unem-se por casamento (os famosos Reis Católicos), o reino Muçulmano de
Granada cai finalmente... Portugal, em 1500, é a única parte da península que não
está sob o jugo dos vitoriosos Reis Católicos... Portanto primeiro factor, a
dinâmica fortíssima de unificação da península...
- Outro factor é o lento recuperar do
poder dos grandes senhores Nobres... que sofreram um rude golpe com a Revolução
de 1383-85 mas não foram eliminados...
- A nível de Casamentos Reais, após a
nobre Inglesa o resto das Rainhas são todas Aragonesas, Castelhanas e
Austro-Castelhanas (e uma ou duas da alta nobreza portuguesa)... o que no fundo
é um sintoma dos factores que aqui enunciei, mas que por si só, vai exercendo uma
pressão altamente perniciosa nos destinos do Reino de Portugal...
É que D.Duarte casa-se com uma
Aragonesa, ao mesmo tempo Aragão e Castela já estão na rota da reunificação...
Quando D. Duarte morre repete-se, um pouco, a história de 1383-85, a viúva é
que supostamente deveria tornar-se a regente... Mas o Povo e as gentes da
cidade, as saudáveis forças vivas da nação, não estão para "papar grupos"
e quem se torna regente é D. Pedro, irmão de D. Duarte e um dos membros da
Ínclita Geração. Mas a viúva não para de intrigar e conspirar... ela e claro,
os grandes Nobres... Quando D. Afonso V já é homenzinho a reacção
contra-ataca... Em 1448, apanhado quase à traição, as forças da grande Nobreza
derrotam as forças do Infante D. Pedro na batalha de Alfarrobeira... O próprio
D. Pedro é morto na batalha... é um rude golpe na causa popular... E as forças
derrotadas em 1383-85 em parte são vingadas...
D. João II,o príncipe perfeito, é o
último "herdeiro da Revolução", tenta fazer face à força dos
"grandes" apoiando-se nos "pequenos" e no processo de
centralização do estado... em grande medida é bem sucedido e o último e
decisivo impulso na expansão maritimó-comercial portuguesa é dada por ele!
No entanto, perde a última batalha, a
da sucessão, D. João II pretendia que fosse o seu filho bastardo D.
Jorgea suceder-lhe
no trono, masa mulher,a grande
Nobreza, tem outro candidato, o primo direito do Rei (e irmão daRainha Leonor), D.
Manuel...
Com D. Manuel temos o triunfo final do
"Dark
Side", mais uma vez casa-se com uma
Castelhana-Aragonesae sabem qual
foi uma das cláusulas do contracto de casamento???
A INSTAURAÇÃO DA SANTA INQUISIÇÃO EM
PORTUGAL!!!
Pois é, com a ascensão de D.
Manuel ao trono a alta nobreza vê o seu poder reforçado e Castela ganha
terreno... Desta vez não houve levantamentos populares que defendessem o
Bastardo D. Jorge, as forças vivas da nação estavam fracas e a Santa Inquisição
é mais uma estocada violenta, são
milhares de cidadãos empreendedores que são caçados, queimados na fogueira e
expulsos.Os Holandeses que os receberam agradeceram...
A História é ingrata e acaba por ser
D. Manuel, o afortunado, a colher os frutos mais maduros e suculentos
semeados pelo Tio D. João II e pela geração que fez a revolução de
1383... Mas D. Manuel renega exactamente o que lhe deu esses frutos, purifica o
reino com a Inquisição, quando tinha sido exactamente a "Lisboa de muitas
e desvairadas gentes" que tinha dado o impulso vigoroso e criativo à
expansão Portuguesa pelo Atlântico fora... Casa-se com uma herdeira do Trono Castelhano...
e o reforço do poder central acaba por ser orientado para dar
"tachos" à nobreza parasitária... No auge da riqueza e expansão
além-mar, o futuro da nação já estava minado e hipotecado...
Uma coisa que ainda não referi é que
tantos casamentos com Castelhanas, Aragonesas ou mulheres da alta nobreza
Portuguesa acabam por ter outra implicação, é que isto tornou-se um ciclo
vicioso e fechado em que primos casam-se sucessivamente uns com os outros...
São filhos de primos, que são filhos de primos que se vão casando uns com os
outros... a partir de certa altura a probabilidade do resultado destes
casamentos ser minimamente sadio decresce vertiginosamente...
Decadência e Queda
Só para terem uma ideia, D. João III e D. Catarina de Áustria têm 9 filhos!!! 9... e vêem nos morrer a todos, alguns por acidentes, mas muitos eram autênticos débeis... O herdeiro do trono aparece in extremis filho de um desses 9 que ficaram pelo caminho... Depois do que foi a saudável "Ínclita Geração", filhos da Revolução, filhos de um Bastardo, os resultados que a "pureza" nobiliárquica tem para apresentar é um jovem cheio de problemas e enfezado, D. Sebastião de triste memória (o cognome é meu) ...
Este jovem enfermo, delirante, estéril, é o resultado da conjugação das forças que acima referi... o "Dark Side" cava a sua própria sepultura... Este é o resultado do somatório da obsessão pela "pureza", do predomínio da alta Nobreza, do abafamento e repressão sobre as forças populares e do progressivo ascendente Castelhano sobre o Reino...
Gostava muito de assuntos de guerra e a expedição que lidera a Marrocos é o "Estado da Arte" da altura em termos de armamento, o exército que leva para o Norte de África é uma espécie de exército modelo... mas esqueceu-se do mais importante... Que a Guerra é a continuação da política por outros meios (ok, ainda Clausewitz não tinha aparecido, mas já tinha idade e dever de conhecer Maquiavel!!!)
o que conseguiu foi nada mais nada menos do que a unificação de Marrocos sob um único líder muçulmano e o seu exército modelo foi desbaratado em Alcácer Quibir pelas forças muçulmanas combinadas...
Como resultado desta aventura delirante o trono cai no colo de Filipe II de Espanha, I de Portugal... (Outro resultado muito negativo, talvez o mais negativo, é algo que ainda persiste na psique colectiva nacional, o "mito sebastianista", essa ideia altamente idealistó-reaccionária de um ente que vem não se sabe bem de onde envolto em névoa e que nos há de salvar a todos... enfim, o mito do paizinho que nos há se salvar a todos das nossas próprias fraquezas e defeitos...) Mas vejam lá!!! Ainda há um bastardo que tenta salvar a honra do convento (benditos bastardos pá...), ainda há o mínimo de dignidade na nação! António, Prior do Crato, tenta montar a resistência à avalanche Castelhano-Austríaca-Habsburguiana, expulso do Continente é nos Açores que ainda consegue opor resistência e obter algumas vitórias!
Mas o Império, o Império... era irresistível e a verdade é que a corja Nobiliárquica estava rendida ao ouro Imperial e alguns mais ingénuos chegaram a pensar que a União Ibérica poderia ser um bem para os próprios interesses Portugueses, nomeadamente para a defesa das possessões Portuguesas espalhadas pelos 5 continentes... Estavam enganados, embora não seja assim tão simples, o que é facto é que foi o grande Império a sugar os nossos recursos, muito mais do que nós a servirmo-nos do grande Império para defendermos os nossos interesses...
Caso paradigmático é o da Armada Invencível... Para que raio é que interessava a Portugal participar na pretendida invasão do Inglaterra??? Mas parte significativa dos navios que compuseram a Armada Invencível eram Portugueses, e de Invencível a Armada não teve nada... A nata da frota portuguesa perdida ao serviço do grande Império na sua ânsia de controlo total... no final tiveram o fim que mereciam!
Portanto, quando hoje em dia uns quantos lunáticos se lembram de propor a "União Ibérica" penso sempre na nossa história, é que já tivémos a União Ibérica e o que é que aconteceu??? Portugal transformado numa possessão periférica de um grande Império cujos recursos são sugados para defender interesses que não são os nossos. À poix é bébé...
Quem defende isso sabe pouco de história, quem defende isso devia prestar mais atenção a um sábio ditado popular, um sábio ditado que o meu falecido Avô por vezes mencionava, um sábio ditado que é um corolário adequado para esta história:
"De Espanha nem bom vento, nem bom Casamento"
Mas ainda mais importante apelo e lição a tirar desta história toda tem a ver com aquela boca reaccionária, ou melhor, aquele bicho papão que a reacção costuma agitar "ai que o poder vai cair na rua!..." Meus amigos, Camaradas, nem havia Portugal se o Poder não tivesse caído na Rua! E os nossos melhores momentos são, exactamente, fruto do poder ter caído na rua! Em 1383, em 1820, em 1910, no 25 de Abril de 1974!!!
No fundo a grande e maior conclusão desta história é tão simplesmente:
If you want my honest opinion, scientists are too nerd to have the leadership for the strugle to presearve our civilization! Yes! because the slogan "stop climate change" is absolutely stupid and un-cientific!!!! It reminds me a story of the bible were Josué asks God to stop the sun so the Israelites have more time to win a batle... and God stopped the sun... so some believe, do you? Not me....
No dia em que o SENHOR entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel, Josué falou ao SENHOR e disse, na presença dos israelitas:
«Detém-te, ó Sol, sobre Guibeon;
e tu, ó Lua, sobre o vale de Aialon.» E o Sol deteve-se, e a Lua parou
até o povo se ter vingado dos seus inimigos.
O segundo debate do Bloco de Esquerda a que fui (nos idos de 1999), foi no ISCTE, com Miguel Portas e outro tipo do PC, debatia-se a "Esquerda", era na altura em que ainda se acreditava "no fim da história", à partida não parecia um debate fácil e óbvio... Intervi, e ainda me lembro do sumo daquilo que disse:
Este sistema está condenado, este modo de produção vai explodir, pensem só no seguinte, como é que na China podem ter o mesmo nível de vida que nós? Imaginem que havia o mesmo número de carros por habitante na China e em Portugal? É impossível! Blá blá blá....
Isto vem a propósito do debate de ontem, disse mais ou menos o que escrevi no Post anterior e acho que a malta curtiu, mas no fim veio um senhor falar comigo e disse:
"Não percebi bem os números que deu, é que eu ouvi dizer que a China tinha ultrapassado os Estados Unidos em número de automóveis produzidos, parece que foram 13 milhões e tal nos EUA e 14 milhões na China...?"
Eu, após alguma hesitação, reganhei a lucidez e disse:
"Mas já dividiu os 14 milhões pelo bilião e tal de habitantes da China? É que isto são números per capita..."
O Homem entendeu... já agora pegando neste números e na população aproximada desses países construí a seguinte tabela,
É que mesmo produzindo mais carros, se dividirmos pelo número de habitantes a produção da China ainda está mais do triplo (quase o quádruplo abaixo da Norte-Americana...).
Mas este debate tem muito mais haver com a gestão de recursos escassos do que com alterações climáticas... O que quero dizer é que as alterações climáticas são apenas um item dos problemas de sustentabilidade que a nossa civilização enfrenta... Ou seja, mesmo que aceitássemos os argumentos dos cépticos que põe em causa a relação entre a actividade humana/emissão de CO2 e as alterações climáticas - opinião que o autor deste Blog não partilha, uma vez que já existe um grande consenso entre a comunidade científica que, de facto, as emissões de CO2 estão a dar um grande contributo para o aquecimento global... - o que é facto é que problemas bem mais graves vislumbram-se no horizonte fruto do nosso consumo voraz (e completamente desigual) dos recursos naturais...
Vejam a seguinte tabela:
Estes dados (valores per capita!!!), provenientes do site Nation Master, podem não ser fiéis ao milímetro, mas dão bem ideia das ordens de grandeza em causa. Imaginem que a China e a Etiópia atingiam valores per capita de nº de veículos motorizados e de Km de Autoestrada semelhantes aos portugueses, não dá pa imaginar, a não ser num mundo de fantasia, porque simplesmente não há petróleo (que para além de combustível, não nos esqueçamos, tb é a matéria prima utilizada para produzir plásticos, betume, alcatrão e fertilizantes, por exemplo...), não há minérios, não há recursos neste planeta que possibilitem que cada Chinês ou Etíope tenha o nosso nível de vida... ponto final....
Mas e então, dizemos aos Chineses e Etíopes pa ficarem quietinhos e pararem de crescer (e vejam a distância que eles estão de nós!!!), enquanto nós ainda nem reduzir o nosso consumo de recursos conseguimos???? Aliás como se eles nos ouvissem!!!
Tod@s sabemos que a China está ainda numa fase de crescimento e que o seu consumo de bens e matérias primas tem crescido de forma exponencial e assim se vai manter nos próximos tempos, talvez não saibam é que também na Etiópia estão a lançar-se (com apoio...CHINÊS) grandes obras públicas desde estradas, a barragens e caminhos de ferro... só para terem ideia na Etiópia no último ano lançou-se a construção de 13 novas Universidades...
Mesmo que, com o actual modo de produção, o mundo "Ocidental" tivesse real vontade e conseguisse, começar a reduzir os seus gastos de matérias-primas, o crescimento no resto do mundo tornaria esse facto irrelevante. No entanto... a terra não estica... comé que isso se resolve então???
Bem, podemos acreditar na "fada dos dentes" e que os líderes mundiais reunidos em torno de uma mesa - com uma certa pressão de manifestações "folclóricas" organizadas por um caleidoscópio de ONGs&Cª Lda - chegam a um acordo e decidem viver em paz e repartir de forma mais equitativa os recursos e mudar completamente o actual modo de produção (mais uma vez olhem pós números da tabela...).
Ou podemos ser mais realistas e perceber que com a manutenção do actual status quo político-social o que se avizinha no futuro a médio prazo é um explodir de conflitos em torno do controlo dos recursos naturais...
Acabo com a menção a dois filmes, um é o "Day After Tomorrow", aquele em que começa tudo a congelar devido a uma alteração na corrente do golfo, bem essa não é a maior fantasia do filme... a maior fantasia vem no final quando milhões de refugiados do Norte procuram asilo nos países do Sul (no filme a cena é especificamente os gringos a passarem pó México...)... Dá ideia que houve uma catástrofe, milhões morreram, mas as estruturas de poder mantém-se... Bem... Um cataclismo daqueles a acontecer lançaria um tal caos políticó-social que o Mad Max pareceria um retrato do paraíso...
Bem mais relevante para este debate que as fantasias do "Day after Tomorrow", tanto que é uma história real, é o seguinte filme que estreia dia 18 de Dezembro
É que nestas discussões falta muita perspectiva histórica!!! E se bem que a ciência é fundamental para percebermos o que está em jogo, não é aí que estão as questões fundamentais... Não é saber se mais x emissões ou menos y emissões de CO2 vão fazer aumentar o nível das águas mais um metro ou quinze... antes disso a humanidade vai matar-se à paulada para controlar os recursos escassos!!!
Camaradas, a responsabilidade sobre os nossos ombros é gigantesca, não estamos a lutar para "Salvar as Baleias" ou o "periquito de bico amarelo da papua nova guiné", não está em causa o desaparecimento de meia dúzia de atóis no pacífico, ou o Terreiro do Paço ficar inundado...
está em causa a manutenção de um nível mínimo de Civilização!!!
Rosa Luxemburgo, no início do século XX, analisando as tendências no mundo dessa altura, lançou um aviso "Socialismo ou Barbárie"... No início do século XXI esse aviso é ainda mais sério!!!
O Processo Revolucionário Bolivariano e a sua Liderança continuam a abrir caminho, já por várias vezes chamei atenção para uma evidência:
- Neste momento, e desde 1999 (data em que ganhou a primeira de mais de uma dezena de eleições sempre consideradas justas por todos os observadores internacionais), a Revolução Bolivariana é o maior desafio ao Imperialismo e ao Capitalismo predador "Neo-Liberal". Não há no mundo processo que rasga mais caminho no sentido de um mundo mais Justo, Igual, Fraterno e Livre.
A Esquerda portuguesa tem muito, muito a apreender com o que se passa pela América Latina, neste rectângulo virado para o mar vivemos num contexto Sócio-Económico bem diferente do Venezuelano, mas uma várias lições devíamos aproveitar,
Menos Cinismo e Cepticismo, mais pensamento inovador!
Mais vontade de encontrar soluções para alargar os limites do possível e menos desculpas para justificar os fracassos!
Mais Radicalidade no pensamento e acção, bem menos sectarismo!
As declarações do representante do BE foram enfezadas (pelo que li no arigo do DN)... Sem se colar completamente às declarações de Chavez poderia ter aproveitado a deixa para referir que este é um caminho que tem de começar a ser trilhado...
Entretanto nem que seja por conseguir ter marcado a agenda este chamado valeu a pena. O Processo que ambiciona construir o "Socialismo do Século XXI" (e na pratica o vai implementando!!!!) é o mesmo que agora lança este chamado!
Viva Chavez!
Viva a Revolução Bolivariana e o Socialismo do Século XXI!
Mais notícias do terreno sobre as "eleições" e o Golpe de estado nas Honduras, este é um relato feito pela "The Real News Network", um site, uma verdadeira agência de notícias, que vai à raiz das questões e apresenta uma perspectiva dos eventos que dificilmente se encontra nos "mass media":
ELECTIONS IN HONDURAS: WHITEWASHING A PATH TO A PAST OF HORRORS
by Lisa Sullivan, Latin America Coordinator, School of the Americas Watch
I came to Honduras with the to participate as a human rights observer of the electoral climate in a delegation organized by the Quixote Center. Several delegations converged, connecting some 30 U.S. citizens with dozens more from Canada, Europe and Latin America. In the days prior to the elections we scattered to different cities, towns and villages, meeting with fishermen, farmers, maquila workers, labor leaders, teachers and lawyers, as well as those who were jailed for carrying spray paint, hospitalized for being shot in the head by the military, and detained for reporting on the repression. It was, most likely, a bit off the 5-star, air-conditioned path of most of the mainstream journalists who are filling your morning papers with the wonders of today´s elections.
But by the evening of the day of the elections, what we had witnessed in previous days pushed those of us from the U.S. directly to the doors of our embassy in Tegucigalpa. We realized that this place, not the polling stations, was where this horrific destiny of Honduras, and perhaps all of Latin America, was being determined. And so the U.S. citizens among us took our statements and signs and determination there.
We were, indeed, greeted by many: dozens of guards with cameras, some 30 journalists, Honduran police with guns and also cameras, as well as a low flying helicopter that at least made us feel important. While the journalists let us read our entire statement of why these elections should be not be recognized by our government because of the egregious repression, the embassy guards wouldn´t even let us leave our slip of paper. That, in spite of the fact that the embassy´s human rights officer, Nate Macklin, told our delegation leader to make sure to let him know if there were any human rights abuses.
Any? In each of the many corners of the country visited by the 70-plus international observers, we witnessed the fear, repression, intimidation, bribery and outright brutality of the government security forces (note: we were there to observe the electoral climate, not electoral observers, since we consider the elections to be illegal. Likewise, the UN, OAS, and Carter Center and other bedrock electoral groups boycotted "the event" as many Hondurans called the day.)
As elections were in full swing in the morning, our delegate and nurse practitioner, Silvia Metzler visited Angel Salgado and Maria Elena Hernandez who were languishing in the intensive care unit of the Hospital Escuela in Tegucigalpa . Both had been shot in the head at one of the many military checkpoints, no questions asked. Doctors give Angel a zero possibility of survival and he leaves behind a 6 year old son. Maria Elena has a better chance of recovery, but it will be a long road. She was selling snacks on the side of the road to support her teenage children when caught by military bullet.
Tom Loudon was on the streets of San Pedro Sula when police tanks and water trucks and tear gas canisters attacked a peaceful march of the resistance movement. It took him a long time to find other members of his delegation who had scattered in the frenzy, but they were luckier than two observers from the Latin America Council of Churches who were detained or a Reuters photographer who was injured in the massive display of repression. Dozens of cells phones captured the police beating anyone they could catch with their billy clubs.
The first person I thought of as I awoke on election day was Wlmer Rivero, a fisherman in a small town with the big name of Puerto Grande. I kept thinking of the fear in his eyes as he relayed how the police have been visiting his house and asking for him, ever since he trekked 6 days on foot to greet a returning President Zelaya. Each local mayor has been asked to put together a list of resistance leaders, and his name was one of 22 from his town. We suggested to Wilmer that he not sleep at home during the electoral days. He called the next day to thank us for our advise. The police had ransacked his home, and that of many of his neighbors, the night before elections, threatening his life. But, he wondered, what will he do now.
I also thought of Merly Eguigure who I had visited 2 days earlier in a cold and crumbling jail cell, reeking of human waste. She had been captured for having a can of spray paint in her car. Though she was released shortly before elections, she will face trial and probably prison for defacing government property. Merly claims that the spray paint was to be used in an activity to raise awareness of violence towards women. Perhaps authorities worried that the paint was destined to add a new message to the city walls. Every square inch of blank wall space in the city is covered with powerful graffiti against the coup. In spite of government to whitewash over it, the blank spaces are filled in again within hours.
So, now I wonder what the Honduran people will do to overcome the massive whitewash that just took place in their country. Not of walls, but of coups. The military coup led by SOA graduates Generals Vasquez Velasquez and Prince Suazo first had a quick bath of whitewash by placing a "civilian¨" leader as the figurative head of government: President of Congress and business mogul Roberto Micheletti. The whitewash used at the moment was mixed ahead of time, and quite abundant. It was the excuse that Zelaya was preparing a vote to call for his re-election and had to be removed quickly. (Never mind that the consultative vote actually had nothing to do with a re-election. It was a consultative vote to ask Honduras whether they wanted to vote on convening a Constitutional Assembly). I call this first whitewash the "transformation from military coup to civilian coup".
And now, the second bath of whitewash was even more challenging, especially since the first whitewash proved to be kind of thin and exposed the words from below. Thus, it didn´t really convince many. As a matter of fact, it didn´t convince anyone except the United States government (or woops, maybe they actually helped to stir the first batch), Now, the challenge of November 29th whitewash was to transform the civilian coup into a shining electoral display of freedom, fairness and grand participation so that all the world would say, "wow, that Honduran coup is gone. Now Honduras has a real and wonderful democracy, End of story".
Except that it´s probably the beginning of a story. One that we thought had been left to rest in Latin America years and years ago. One of fear and repression and deaths and disappearances. We know the litany all too well, and we remember the names of its thousands of victims each November. This year we had to add too many new names from Honduras. And, if our government chooses to recognize these elections, this massive whitewash, I fear that many more names will be read from the stage in front of Ft. Benning next year. And perhaps not just from Honduras.
So, when I said that I wonder what Hondurans will do in the face of this whitewash what I really wonder is what I will do, what we will do U.S. citizens. Because, this whitewash will only have the formula to whiten and brighten this military dictatorship if our government chooses to accept the results, as they have indicated that they will likely do.
Today the headlines in most of the U.S. media reiterate the official Honduran statistics that 60% of Hondurans went to the polls yesterday. Our delegates visited dozens of polling stations, finding them almost empty, in most places counting more electoral monitors and caretakers than voters. The resistance movement puts abstention at 65-70%. Which statistic do we prefer to believe?
I have lived in Latin America since 1977. I was called to stay in this land when I saw how young and idealistic youth such as myself at the time, were being taken from their homes, never returned. Somehow, I felt called to continue the steps they would never take. And so I stayed 32 years. I have witnessed hope rising from the South in the past 10 years, in ways I never dreamed. I have seen efforts of building dignity and sovereignty rise high, inspire millions, and make a difference.
And so, maybe this explains the anger that rose from within me yesterday, in front of the embassy. That anger surprised even me. I am ashamed of our government. Ashamed that we are in great part to blame for pushing this country back 30 years into dark and deadly times. And I worry that Honduras is just the beginning.
A realizar na Casa do Brasil, amanhã, Quarta dia 25 de Novembro às 21h.
Contará com intervenções de Abertura de:
- Alejandro Valle Baeza, Economista "Alternativo/Heterodoxo" Mexicano (aqui está o texto de uma apresentação que fez em Coimbra, e o CV);
- Alfredo Vagner Berno de Almeida, antropólogo Brasileiro, conferencista internacional.É especialista em economia alternativa, amazonia, movimentos populares do norte nordeste.
A Casa do Brasil de Lisboa fica na Rua São Pedro de Alcântara, 63 (junto ao miradouro de São Pedro de Alcântara no Bairro Alto)
Ontem dia 17 de Novembro teve lugar a "Marcha pelo ensino superior", eram 3000, não era uma multidão, mas para a forma como foi divulgada, e sobretudo, tendo em conta que é o primeiro protesto do género, foi um número que cumpria o mínimo exigível.
Para além dos números o ambiente estava muito positivo, quem foi dá me ideia que gostou. Este poderá ter sido um passo importante na reconstrução de um movimento estudantil com o mínimo de capacidade para influenciar a agenda política. Alguma reflexão mais apurada pode ser encontrada aqui ou aqui.
Com cabeça e alguma pica talvez se consiga fazer algo significativo a partir daqui.
Bem já há muito que não havia uma manifestação de âmbito nacional de estudantes do ensino superior! Dá-me ideia que há pelo menos 5 anos que não havia uma.
Bom sinal, com os tempos que vivemos seria de estranhar e extremamente preocupante se pelo menos um "espasmo" não saí-se das Universidades! Afinal há duas situações que deviam motivar fortemente estudantes pá contestação:
1 - A crise que, segundo os relatos (e o mínimo de visão), cria dificílimas condições a muitos que frequentam o ensino superior, ainda para mais qd os custos da frequência (propinas e n só) só têm vindo a aumentar;
2 - Cada vez mais o futuro pós-académico é uma incógnita, sendo o percurso profissional composto por uma sequência de estágios, Biscates e part-times... Arranjar um trabalho com o mínimo de estabilidade que permita planear o futuro (constituir família, comprar casa, etc...) é cada vez mais uma miragem.
Neste link podem ver 6 boas razões para aderir à manif, está um muito bom texto. Foi feito por um grupo da UTAD (Trás os montes e Alto Douro), o MUTAD. Não sei quem são mas tiveram bem, se fosse eu não escreveria exactamente assim, mas estaria muito próximo.
É que primeiro li o comunicado "oficial" (pelo menos a imagem tá fixe) e fiquei um pouco desalentado pois os argumentos para a manifestação eram demasiado vagos, mas felizmente há malta a mexer-se!
Bom, de qq das formas é super positivo que neste momento exista esta mobilização!
Espero que a malta arranje alavancagem nesta acção para dinamizar o movimento estudantil, pois este é um elemento fundamental de um mais amplo movimento popular necessário para romper o Status quo e dar resposta à crise.
Parece-me que aproveitando as dicas MUTADISTAS é possível lá chegar (pelo menos a um movimento estudantil revigorado, as etapas seguintes necessitaram de mais...).
Uma das coisas que é preciso é não ter medo de tomar partido (aliás sem isso nem se vai a lado nenhum...) e não embarcar em posturas tótos, o máximo de radicalidade (no discurso e acção) com o mínimo de clichés e frases feitas (para não criar aquela rejeição instantânea nas "massas").
Neste Blog (Parar Bolonha) estão uma série de notícias referentes a protestos estudantis que têm ocorrido pela Europa.
Ontem foi dia 11 de Novembro, há 34 anos, em 1975, em Luanda, Agostinho Neto e o MPLA declaravam a independência de Angola. Nesse mesmo dia a norte tb a FNLA declarava a independência e a UNITA, na voz de Savimbi fazia-o a sul... Em breve tanto a FNLA como a UNITA marchariam numa tenaz sobre Luanda e o MPLA...
Abaixo coloco um documentário sobre estes eventos, com entrevistas aos locais, agentes da CIA, Cubanos, Soviéticos e imagens da altura:
Ao contrário das expectativas (na sede da CIA até já tinham aberto garrafas de Champanhe) o MPLA aguentou-se, uma das razões que o explicam foi a ajuda militar massiva Cubana. Aqui está Castro a falar acerca do assunto.
Em breve a África do Sul também se juntaria ao combate do lado da UNITA, é preciso lembrar que o MPLA se declarava inequivocamente Anti-Apartheid, do lado dos Gringos ver uma força próxima da URSS tomar posse de Angola, ainda por cima com apoio dos cubanos era um pesadelo... A guerra entre CUBA-MPLA, UNITA-África do Sul foi-se prolongando estendendo-se à Namíbia...
Em 1988 deu-se a maior batalha em África após a II Guerra mundial, a batalha de Cuito Cuanavale, no seu desfecho a Namíbia ganhou a independência, as forças Sul-Africanas retiraram desse território e de Angola. Os Cubanos também se retiram de Angola e a UNITA permanece uma força importante. Foi de qq das formas um importante golpe no Apartheid, descrito como decisivo por Nelson Mandela (não é por acaso que das primeiras visitas ao estrangeiro que fez após a sua libertação tenha sido a Cuba).
Provávelmente sem a intervenção Cubana, Angola seria semi-dominada pela África do Sul e o apartheid sairia reforçado
De notar que a URSS só se envolveu após ter sido arrastada por CUBA e que em 1988, um ano antes da queda do muro e com a URSS já numa onda de "retirada geral", CUBA empenhou cerca de metade do seu exército em Angola para obter uma vitória decisiva.
Na história existem outros exemplos de solidariedade Internacionalista, este é dos maiores e mais fortes... Até pq pouco em troca ganharam os Cubanos.
A verdade é que não muitos... A começar pelos primeiros interessados e autores da façanha, os alemães de leste (Alemães de Leste lamentam queda do muro). Aliás este é um dado incontornável e que nos devia fazer a todos reflectir antes de começar a debitar a propaganda do regime de forma mal digerida. 20 anos após este evento determinante parece que as celebraçõs são algo envergonhadas, belíssimo sinal, 20 anos após a queda do muro a verdade é que o seu fantasma ainda mete medo... É que para celebrar tão rotunda vitória do Capitalismo e do Império Estado Unidense esperava umas celebrações bem mais revanchistas e efusivas....
Aqui, Louçã também se equivoca (embora em geral esteja de acordo com o texto)... "os saudosos do partido despótico não fazem parte do socialismo que luta contra o capitalismo."
Falso, claro que é também com a maioria de Alemães de Leste que fazem um balanço positivo do que foi a RDA que se vai re-construir o "comunismo" (ou construir o neo-comunismo), aliás não serão esses mesmos que enchem as hostes do tão celebrado (até pelo autor deste Blog) Die Link???
Sinceramente, só celebrarei a queda do muro quando:
1º - Quando a maioria dos próprios alemães de leste tb achar que o deve fazer;
2º - Quando a "Esquerda" conseguir reconstruir uma grande narrativa (ou pelo menos uns tópicos estruturados) que seja percepcionada pela maioria (ou um grupo significativo) como resposta à crise actual e alternativa ao sistema capitalista que nos está a conduzir ao abismo. (vejam estas sondagens)
A verdade é que a queda do muro não só fez ruir o "Socialismo Real" nos países libertados pelo exército vermelho após a II Guerra Mundial e na própria URSS, fez mais, com a queda do muro e desse bloco a própria social democracia europeia perdeu uma das suas muletas. É que os "30 anos gloriosos" do pós-guerra, a instauração do well fare state, o chamado "Estado Social Europeu", só existiram devido a:
- Luta dos trabalhadores e suas organizações na europa Ocidental;
- existência de um bloco Geo-político alternativo, o mundo do "Socialismo Real".
Não fosse o VIII Exército da Guarda a por a bandeira vermelha com foice martelo no Reichstag em 45 e queria ver onde é que estava o "Estado Social Europeu" e o plano Marshal e essas coisas boas todas (sim pq são, ou foram...cada vez mais o tempo verbal a aplicar é o passado e não o presente...).
Ora bem, sem esse bloco alternativo, com o descrédito final do sistema que se propunha ser mais avançado (grande, grande diferença com algumas alternativas tradicionalistas que despontam hoje, tais como o fundamentalismo islâmico) e com pretensão Universalista (outra diferença de monta face a outras alternativas), o Capitalismo ficou sem adversários. Esse sim foi o grande resultado da queda do muro, deixar com rédea solta o grande capital e os seus interesses, o que se reflecte em guerras imperiais à cara podre (tipo Iraque); retrocessos civilizacionais (como o fundamentalismo tradicionalista a ocupar no mundo islâmico o papel de alternativa que antes pertencia à esquerda nacionalista e comunista); fragilização da cidadania no Ocidente (fim do pleno emprego; insegurança no trabalho; destruição de serviços públicos gratuitos e Universais)...
Dito isto há dois factos de relevância a sublinhar:
1º - O facto de não celebrar não significa que do acto não se tenham produzido efeitos positivos, claro que é positivo o fim da censura, das prisões políticas, enfim dos estados autoritários do Leste. Mas mm isso pode ser sol de pouca dura, a extrema direita tem muita força na Croácia, Polónia ou Hungria e a liberdade de expressão nesses países já se encontra limitada (na República Checa a Juventude Comunista chegou a ser ilegalizada e Paramilitares nazis atacam militantes de esquerda em todos esses países), dependendo de como a crise evoluir veremos se não retornam a regimes do tipo que tinham antes de 1939 (ditaduras de direita tradicionalistas, muitas conduzidas por militares).
2º - O "Socialismo Real" era uma alternativa com prazo de vida limitado, em 1989 já pouco havia a fazer, e se em 1989 já tinha os dias contados quanto mais em 2009!!! Ou seja, a alternativa à crise social, económica e ambiental não poderá ter como modelo aquilo que já se viu ter falido. Mas isso não significa que tudo no "socialismo real" é pa ir pó lixo, muito de positivo tb houve (dito pelos próprios). Aliás devo confessar que não sei se mais do que "comunista" o movimento emancipatório do século XXI não se deveria apelidar de "neo-comunista", exactamente para se perceber que para os desafios do século XXI um novo grande projecto é necessário.
No fundo o que pretendo argumentar aqui é que a morte do "herói" não significa que já não necessitemos doutro. Por outras palavras, como aqui referi também, a Esquerda Radical e Popular precisa de um novo projecto emancipador de massas, um projecto que não seja o comunismo do Século XX, mas que tem de ser um projecto Universal e Global, não apenas uma espécie de "federação de causas e movimentos de minorias"... O reerguer dessa alternativa implica uma revisão séria do que foi o Projecto e Realidade Comunista no século XX uma coisa que ainda está por fazer... implica ir à história e aprender com outros que não apena os Bolsheviques, implica, sobretudo, estar atento ao mundo de hoje e procurar pistas para a alternativa, nas novas tecnologias de informação e partilha do conhecimento; no novo cenário geo-político; no desafio da sustentabilidade ambiental (basicamente com preocupação de manter o nosso suporte de vida); nos movimentos anti-imperialistas do momento (na América Latina e Médio Oriente); no surgimento de novos actores para-estatais (tipo máfias das favelas brasileiras; ou alguns multi-milionários em África) e de sinais que o neoliberalismo possa vir a descambar numa espécie de "neo-feudalismo" (nuns sítios mais do que ouros, e com mais força em certos sectores de actividade do que noutros)...
Conseguiremos reerguer o estandarte?
Como no início do século XX afirmou Rosa Luxemburgo a questão que se coloca no início deste é novamente: "Socialismo ou Barbárie"...
Also known as the Goddess of Truth, this ancient and immensely powerful immortal has kept a watch over her people for untold centuries, wandering their battlefields and guiding home the souls of the dead.(...)
(...)As this terrible era was being born, Pravda inspired her people to resist this dark age. The People's Revolution rose up in her name, and what transpired would result in the formation of the United Republics of the Red Star.
Apenas recentemente tive o prazer de ver este filme, é notável, quer no plano estético-artístico, quer pelo conteúdo. É um filme que se presta a muitas leituras e comparações. Começo pelas analogias cinematográficas.
Sendo fã das Star Wars e apreciando o Senhor dos Anéis (sobretudo "O regresso do rei") não deixei de reparar inúmeras semelhanças... Se não se inspiraram aqui directamente (o mais provável), inspiraram-se em quem antes já se tivesse inspirado neste filme... Afinal este é o pai de todos os épicos, é o primeiro filme sonoro do género (e que banda sonora! composta por Prokofiev). No cinema mudo já há algumas obras a apontar neste caminho, mas esta é considerada uma obra germinal do cinema "moderno".
Vejam aqui os maus da fita, os Cavaleiros Teutónicos, são Germânicos, são Católicos fundamentalistas, guiados pela nobreza tutelada pelo Bispo ao serviço de Roma.
Os Teutónicos lançam-se contra as terras russas, sobre Novogrod, quando os locais ainda mal se recompuseram das invasões mongóis (de facto ainda estavam sobre o jugo da "horda de ouro").
O Imperador Palpatine é decalcado destas personagens, o Bispo (segunda imagem) e o capelão (última)... e o que dizer da infantaria germânica? Parecem os Orcs do Senhor dos Anéis e os cavaleiros também... Aliás, os Cavaleiros fazem lembrar os Imperial Stormtroopers (e é o que eles são, literalmente... ou melhor, foram...).
(Só pa não haver dúvidas...)
Mas há mais, aqui está o Herói e os "bons" Alexander Nevsky, Príncipe Russo, vencedor dos suecos uns anos antes e recentemente expulso de Novogrod por meio de intrigas... Agora em perigo, a cidade (os sectores populares, pq os grandes comerciantes queriam pagar tributo...) exige o seu regresso e que chefie as forças Russas contra o invasor Teutónico-Germânico.
Lá está, um Rider of Rohan (na imagem é o Nevsky) por uma pena... Bem mas já chega de analogias cinematográficas.
Ao ver o filme lembrei-me bastante da nossa revolução de 1383-85, há um invasor, um povo (sobretudo numa cidade...) que se levanta para resistir e um herói que surge... Claro que estas comparações são complicadas, mas uma boa pista de que estamos perante uma luta de libertação nacional é dada observando o papel desempenhado pelas mulheres, aqui no filme também há uma "padeira de aljubarrota".
No entanto a analogia óbvia, e que serviu de motivação ao filme, é com as hordas Nazi-Fascistas, este filme é rodado em 1938!!! Tudo nos Teutões evoca os Nazis... E a história relatada no filme é não apenas um "flash back" mas uma antevisão, projecção, do que seria a própria invasão da URSS em 1941.
Os maus, são mm muito maus, nesta última imagem estão atirar crianças pá fogueira após conquistarem uma cidade russa... Abaixo há o trailer com (para mim) uma das melhores cenas do cinema de todos os tempos (a cena começa ao segundo 47)... A ocupação de Pskov pelos Cruzados. Infelizmente por mais tenebroso que seja o filme, a realidade (do século XIII e do século XX) superou-o, pode parecer propaganda, mas de facto, é apenas uma amostra da crueldade Nazi e dos fanáticos religiosos do século XIII...
O tom anti-clerical do filme é muito ao meu agrado e os Teutões para lá de Nazis, Orcs e Stormtroopers, fazem também lembrar os Franquistas da guerra Civil Espanhola, guerra que ainda estava a decorrer quando o filme estreou.
No final, quase 30 minutos da "Batalha sobre o Gelo", as milícias populares de Novogrod e outras pequenas cidades juntam-se a Nevsky e seus companheiros, é sobre as águas geladas do lago Peipus que os Russos dão combate aos invasores. Finalmente o Dark Side é eliminado e posto a correr!!! Na história mundial esta batalha marcou o fim da expansão germânicó-católica para leste e consagrou a fronteira (ainda hoje!) entre o Ocidente Católico e o Leste Ortodoxo.
Pa finalizar uma das gandes malhas do filme "Arise Russian People"