Mostrar mensagens com a etiqueta cinema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cinema. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 9 de março de 2010

A Ordem 66 e o Massacre de Xangai

Uma dos episódios centrais da saga "Star Wars" é a Marcha sobre o templo Jedi e a execução da ordem 66... É o momento em que os Jedis são apanhados de surpresa por quem pensavam ser seus aliados e são praticamente exterminados, este vídeo contém uma das cenas mais impressionantes da série, o momento em que Anakin sob a escadaria do templo à frente das tropas Imperiais e dá início à matança dos jovens aprendizes de Jedis... Aqui está o clip do filme.


Há vários episódios na História semelhantes, o mais próximo que me lembro é o "Massacre de Xangai", que marca o início da longa guerra civil entre o Koumitang e o Partido Comunista Chinês...  A verdade é que Nacionalistas do Koumitang e Comunistas começaram por ser aliados!!!! Estavam, de início, juntos e comungavam dois objectivos centrais:
- Reestabelecer um governo central que tivesse autoridade em todo o país, à data vários "Senhores da Guerra", dominavam diferentes partes da China, uma situação quase feudal;
- Acabar com o domínio estrangeiro sobre o país, não só diferentes países europeus controlavam vários territórios na China, como tinham um peso decisivo na economia e governo dessa nação milenar...

O Koumitang era uma força Nacionalista, mas com inspiração Republicana e até  progressista, fundada por Sun Ya Tsen, recebeu apoio da Internacional Comunista e vários membros do Partido Comunista integravam a sua direcção. Na Academia Militar de Whampoa, em que muitos dos professores eram conselheiros Soviéticos, treinou-se um novo exército que haveria de regenerar a China, unificá-la e expulsar os Imperialistas estrangeiros... pelo menos era essa a ideia...
Em 1926 esse novo exército parte na "Expedição do Norte", das ideias aos actos. Esse exército é acolhido pela população como uma força de libertação do domínio feudal-mafioso dos senhores da guerra, os Comunistas são parte essencial desse esforço não só no nível militar, mas também através de agitação de massas. A apoteose seria a chegada a Xangai (na altura centro Industrial e Comercial da China). Pouco antes da chegada do exército Nacionalista os trabalhadores de Xangai fazem uma insurreição, tomam conta das ruas e aguardam a chegada da força que no seu caminho havia derrotado já 3 dos mais importantes senhores da Guerra...

É nesse momento que é lançada a "Ordem 66", Chiang Kai-sheck, líder do Koumitang (havia uns anos afastado Sun Ya Tsen) temendo a influência crescente dos Comunistas no Koumitang e em toda a China, ordena aquilo que chamou "a purga do partido"... À chegada a Xangai, longe de se unirem aos trabalhadores sublevados, o exército nacionalista começa uma brutal repressão, apoiando-se nas máfias Chinesas inclusive! Mas não é só em Xangai que se dá o massacre, por toda a China Comunistas em postos importantes são eliminados...

Mas nem todos são eliminados... algumas unidades do Exército ficam do lado do PC Chinês, ainda são tentadas várias insurreições em cidades com base nessas unidades militares fiéis aos comunistas e nos trabalhadores urbanos. Noutra zona, a estratégia seguida pelos comunistas foi da insurreição camponesa. Esses primeiros esforços são derrotados... Unidades do exército comunistas, quadros do partido, camponeses, todos convergem para uma remota zona rural... aí resistem por vários anos, até que são forçados à "Longa Marcha"... Uma marcha que só terminou verdadeiramente em 1949, quando as forças vitoriosas do Exército de Libertação Popular chegam a Pequim!!! Finalmente estava a China Unificada e o domínio Imperialista derrotado! Estava aberto o caminho que levou a China a ser o que é hoje...


O documentário que abaixo coloco está extraordinário, a China desde 1911 (queda do último Imperador) até ao início do processo de reformas dos anos 80 liderado por Deng Xiaoping...



Bem, isto nem chega a ser um resumo do que foi a Revolução Chinesa, da qual já havia falado um pouco aqui também, mas creio que dá pa dar ideia de quantas voltas dá o mundo e de como a realidade acaba por ser bem mais rica que a própria ficção.
Já agora para terminar aconselho este texto recente, com uma espécie de análise comparada, da Revolução Russa e Chinesa, assim como dos destinos dos regimes que foram fruto dessas Revoluções. Two Revolutions de Perry Anderson. (é engraçado, este é um artigo da New Left Review, mas no site da revista só pagando, no entanto, na página do PT do Brasil está disponível à pala! Fixe LOL)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Debate sobre a Cimeira de Copenhaga, agir pelo clima??? Não será mais agir pela sobrevivência da Civilização???

Amanhã realiza-se um importantíssimo debate:



Mas este debate tem muito mais haver com a gestão de recursos escassos do que com alterações climáticas... O que quero dizer é que as alterações climáticas são apenas um item dos problemas de sustentabilidade que a nossa civilização enfrenta... Ou seja, mesmo que aceitássemos os argumentos dos cépticos que põe em causa a relação entre a actividade humana/emissão de CO2 e as alterações climáticas - opinião que o autor deste Blog não partilha, uma vez que já existe um grande consenso entre a comunidade científica que, de facto, as emissões de CO2 estão a dar um grande contributo para o aquecimento global... - o que é facto é que problemas bem mais graves vislumbram-se no horizonte fruto do nosso consumo voraz (e completamente desigual) dos recursos naturais...

Vejam a seguinte tabela:





Estes dados (valores per capita!!!), provenientes do site Nation Master, podem não ser fiéis ao milímetro, mas dão bem ideia das ordens de grandeza em causa. Imaginem que a China e a Etiópia atingiam valores per capita de nº de veículos motorizados e de Km de Autoestrada semelhantes aos portugueses, não dá pa imaginar, a não ser num mundo de fantasia, porque simplesmente não há petróleo (que para além de combustível, não nos esqueçamos, tb é a matéria prima utilizada para produzir plásticos, betume, alcatrão e fertilizantes, por exemplo...), não há minérios, não há recursos neste planeta que possibilitem que cada Chinês ou Etíope tenha o nosso nível de vida... ponto final....

Mas e então, dizemos aos Chineses e Etíopes pa ficarem quietinhos e pararem de crescer (e vejam a distância que eles estão de nós!!!), enquanto nós ainda nem reduzir o nosso consumo de recursos conseguimos???? Aliás como se eles nos ouvissem!!!

Tod@s sabemos que a China está ainda numa fase de crescimento e que o seu consumo de bens e matérias primas tem crescido de forma exponencial e assim se vai manter nos próximos tempos, talvez não saibam é que também na Etiópia estão a lançar-se (com apoio...CHINÊS) grandes obras públicas desde estradas, a barragens e caminhos de ferro... só para terem ideia na Etiópia no último ano lançou-se a construção de 13 novas Universidades...

Mesmo que, com o actual modo de produção, o mundo "Ocidental" tivesse real vontade e conseguisse, começar a reduzir os seus gastos de matérias-primas, o crescimento no resto do mundo tornaria esse facto irrelevante. No entanto... a terra não estica... comé que isso se resolve então???

Bem, podemos acreditar na "fada dos dentes" e que os líderes mundiais reunidos em torno de uma mesa - com uma certa pressão de manifestações "folclóricas"  organizadas por um caleidoscópio de ONGs&Cª Lda - chegam a um acordo e decidem viver em paz e repartir de forma mais equitativa os recursos e mudar completamente o actual modo de produção (mais uma vez olhem pós números da tabela...).
Ou podemos ser mais realistas e perceber que com a manutenção do actual status quo político-social o que se avizinha no futuro a médio prazo é um explodir de conflitos em torno do controlo dos recursos naturais...

Acabo com a menção a dois filmes, um é o "Day After Tomorrow", aquele em que começa tudo a congelar devido a uma alteração na corrente do golfo, bem essa não é a maior fantasia do filme... a maior fantasia vem no final quando milhões de refugiados do Norte procuram asilo nos países do Sul (no filme a cena é especificamente os gringos a passarem pó México...)... Dá ideia que houve uma catástrofe, milhões morreram, mas as estruturas de poder mantém-se... Bem... Um cataclismo daqueles a acontecer lançaria um tal caos políticó-social que o Mad Max pareceria um retrato do paraíso...

Bem mais relevante para este debate que as fantasias do "Day after Tomorrow", tanto que é uma história real, é o seguinte filme que estreia dia 18 de Dezembro



É a história de Hypitia de Alexandria e do fim do mundo clássico, um autêntico retrocesso civilizacional que ocorreu há 1600 anos...

É que nestas discussões falta muita perspectiva histórica!!! E se bem que a ciência é fundamental para percebermos o que está em jogo, não é aí que estão as questões fundamentais... Não é saber se mais x emissões ou menos y emissões de CO2 vão fazer aumentar o nível das águas mais um metro ou quinze... antes disso a humanidade vai matar-se à paulada para controlar os recursos escassos!!!

Camaradas, a responsabilidade sobre os nossos ombros é gigantesca, não estamos a lutar para "Salvar as Baleias" ou o "periquito de bico amarelo da papua nova guiné", não está em causa o desaparecimento de meia dúzia de atóis no pacífico, ou o Terreiro do Paço ficar inundado...
está em causa a manutenção de um nível mínimo de Civilização!!!

Rosa Luxemburgo, no início do século XX, analisando as tendências no mundo dessa altura, lançou um aviso "Socialismo ou Barbárie"... No início do século XXI esse aviso é ainda mais sério!!!

Ou há uma Revolução Social Progressista ou espera nos a Guerra e a Barbárie! (Vejam o link)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Alexander Nevsky, O Épico dos épicos.



Apenas recentemente tive o prazer de ver este filme, é notável, quer no plano estético-artístico, quer pelo conteúdo. É um filme que se presta a muitas leituras e comparações. Começo pelas analogias cinematográficas.

Sendo fã das Star Wars e apreciando o Senhor dos Anéis (sobretudo "O regresso do rei") não deixei de reparar inúmeras semelhanças... Se não se inspiraram aqui directamente (o mais provável), inspiraram-se em quem antes já se tivesse inspirado neste filme... Afinal este é o pai de todos os épicos, é o primeiro filme sonoro do género (e que banda sonora! composta por Prokofiev). No cinema mudo já há algumas obras a apontar neste caminho, mas esta é considerada uma obra germinal do cinema "moderno".

Vejam aqui os maus da fita, os Cavaleiros Teutónicos, são Germânicos, são Católicos fundamentalistas, guiados pela nobreza tutelada pelo Bispo ao serviço de Roma.
Os Teutónicos lançam-se contra as terras russas, sobre Novogrod, quando os locais ainda mal se recompuseram das invasões mongóis (de facto ainda estavam sobre o jugo da "horda de ouro").



O Imperador Palpatine é decalcado destas personagens, o Bispo (segunda imagem) e o capelão (última)... e o que dizer da infantaria germânica? Parecem os Orcs do Senhor dos Anéis e os cavaleiros também... Aliás, os Cavaleiros fazem lembrar os Imperial Stormtroopers (e é o que eles são, literalmente... ou melhor, foram...).


(Só pa não haver dúvidas...)

Mas há mais, aqui está o Herói e os "bons" Alexander Nevsky, Príncipe Russo, vencedor dos suecos uns anos antes e recentemente expulso de Novogrod por meio de intrigas... Agora em perigo, a cidade (os sectores populares, pq os grandes comerciantes queriam pagar tributo...) exige o seu regresso e que chefie as forças Russas contra o invasor Teutónico-Germânico.



Lá está, um Rider of Rohan (na imagem é o Nevsky) por uma pena... Bem mas já chega de analogias cinematográficas.

Ao ver o filme lembrei-me bastante da nossa revolução de 1383-85, há um invasor, um povo (sobretudo numa cidade...) que se levanta para resistir e um herói que surge... Claro que estas comparações são complicadas, mas uma boa pista de que estamos perante uma luta de libertação nacional é dada observando o papel desempenhado pelas mulheres, aqui no filme também há uma "padeira de aljubarrota".





No entanto a analogia óbvia, e que serviu de motivação ao filme, é com as hordas Nazi-Fascistas, este filme é rodado em 1938!!! Tudo nos Teutões evoca os Nazis... E a história relatada no filme é não apenas um "flash back" mas uma antevisão, projecção, do que seria a própria invasão da URSS em 1941.



Os maus, são mm muito maus, nesta última imagem estão atirar crianças pá fogueira após conquistarem uma cidade russa... Abaixo há o trailer com (para mim) uma das melhores cenas do cinema de todos os tempos (a cena começa ao segundo 47)... A ocupação de Pskov pelos Cruzados. Infelizmente por mais tenebroso que seja o filme, a realidade (do século XIII e do século XX) superou-o, pode parecer propaganda, mas de facto, é apenas uma amostra da crueldade Nazi e dos fanáticos religiosos do século XIII...



O tom anti-clerical do filme é muito ao meu agrado e os Teutões para lá de Nazis, Orcs e Stormtroopers, fazem também lembrar os Franquistas da guerra Civil Espanhola, guerra que ainda estava a decorrer quando o filme estreou.





No final, quase 30 minutos da "Batalha sobre o Gelo", as milícias populares de Novogrod e outras pequenas cidades juntam-se a Nevsky e seus companheiros, é sobre as águas geladas do lago Peipus que os Russos dão combate aos invasores. Finalmente o Dark Side é eliminado e posto a correr!!! Na história mundial esta batalha marcou o fim da expansão germânicó-católica para leste e consagrou a fronteira (ainda hoje!) entre o Ocidente Católico e o Leste Ortodoxo.



Pa finalizar uma das gandes malhas do filme "Arise Russian People"




Prokofiev - Arise ye Russian people



Found at bee mp3 search engine



 Ganda Filme!
(aqui está completo on-line)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Rocky



Na Sic Notícias tem tado a passar umas reportagens sobre a "vida pessoal" dos líderes partidários dos 5 maiores partidos... A do Paulo Portas "como você nunca o viu" é deliciosa... Um pormenor da casa dele é que tem uma espécie de poster de Corto Maltese (que roda e muda para a Sharon Stone e depois pó Churchill...)... Achei estranho e interessante, mas talvez faça sentido... É que afinal Corto Maltese é um livre pensador aventureiro. Corre o mundo envolvendo-se em aventuras e romances, quase sempre colocando-se do lado dos mais fracos... Deve ser o lado Românticó-Aventureiro de Portas... Aliás, quem noutra entrevista já confessou ter tb um especial apreço por esta personagem é Francisco Louçã...

Cá por mim não sei... é de uma elegância e de um estilo dificilmente igualáveis (não é por acaso q é poster boy da DIOR)... de um lado pó outro, sempre em fantásticas epopeias... mas não sei... sempre o axei uma beca estranho, descomprometido, demasiado blasé? Ás vezes faz me lembrar o Principezinho do Saint Exupéry, não sei bem porquê. Mas talvez a minha falta de fascínio deva-se ao facto de não o axar (mm com todas as suas virtudes) uma figura inspiradora...


O poster que tenho em casa é de outro personagem...

Quem está na minha parede é Rocky, sim Rocky Balboa, Rocky I, filme escrito e protagonizado por Stallone, vencedor do óscar para melhor filme de 1976 (e a competição era fortíssima, nem tinha ideia) , conta-nos a estória de um pugilista que falhou a sua chance e agora deambula pela cintura industrial de Filadélfia, ocasionalmente faz "cobranças" para um pequeno "Boss" mafioso... Mas tem o coração mole de mais...


Com sorte e preserverança consegue uma segunda oportunidade, um combate contra Apolo, o campeão dos pesos pesados, isto pq o agente de Apolo axa piada ao seu cognome "The Italian Stalion"... 
 As condições de vida de Rocky são precárias, então as de treino... Uma das ajudas que arranja é de um tipo que trabalha num matadouro e deixa-o treinar na arca-frigorífica onde guardam as carcaças... Rocky utiliza-as como saco de box... O homem acaba por "patrociná-lo" e dá-lhe uns bons bifes de vez enquanto... Corre ao longo do caminho de ferro, passa por fábricas com enormes chaminés a deitar fumo... Há aquela cena memorável em que sobe as escadas do museu de arte de Filadélfia (nesse local existe agora uma estátua à Personagem)... tem um fato de treino sujo e velho... 
Pelo meio há também uma história de amor, mas a rapariga por quem se apaixona não é uma Deusa da Renascença ou uma Bomba Plantinada... Adrian é meio escanzelada, mas é boa rapariga, tímida e um pouco cerebral... 
O filme acaba com o combate entre Rocky e Apolo, e sabem que mais, Rocky perde, perde o combate final, mas é o grande vencedor... Aguenta os 15 rounds e dá um espectáculo de Box, perde aos pontos, mas ganha o coração do público, de todos os que o apoiaram desde sempre, e mais, ganha o respeito e torna-se um Herói na comunidade onde está inserido... Mas no final só lhe interessa a Adrian...
Abaixo coloco uma cena do Rocky II, é engraçada porque é basicamente um remake da mesma cena do Rocky I, só que aqui Rocky já não corre sozinho, aqui já é um herói Popular...



Para além da estória altamente inspiradora, poucos são os filmes, com este sucesso, que têm como protagonista um homem deste meio e têm como cenário de fundo os subúrbios Industriais...

Mas há um senão, um senão que dava para uma muito longa conversa sobre a propaganda reaganista e parte da base sociológica de apoio à contra-revolução conservadora, pelo menos nos EUA, é que Rocky IV, o mais famoso de toda a série, é uma peça de propaganda brutal!!! Talvez das mais eficazes da guerra fria... O Rocky de 1976, herói da classe operária, transforma-se em 1985 no anjo vingador da Santa América contra o Império do mal... Um Cruzado da guerra-fria... Para isto ter acontecido há muita "esquerda" que, com diferentes erros, deu um grande contributo para que este fenómeno "degenerativo" tenha ocorrido...
(axo q tão a perceber que o Rocky n deixa de ser uma grande metáfora)


Se este discurso de Churchill marca o início da guerra fria, este abaixo de Rocky faz descer o pano, é uma ode fúnebre à URSS, profético, acutilante, brutal... No som, palavras e imagem... Gorbatchov põe-se de pé e aplaude o discurso, aceita a conversão... Não foi tb isso que, de facto, se passou?



(aqui podem ver a cena em que eles iniciam o combate e Ivan Drago tem a tirada "I must Break you", a máquina de destruição do Império do mal logo no início do filme tinha dito "I can not be defeated"... afinal havia outra... Mensagens curtas, claras, o essencial...Resultou)

Rocky é Grande, pó bem e pó mal...

PS - Já agora, lembrei-me disto

sábado, 15 de agosto de 2009

Épicos Imperiais


Zulu, de 1964, é dos mais bem encenados filmes de guerra de sempre, e uma das primeiras aparições de Michael Caine no Cinema... Esta é a história "real" de uma famosa batalha da Guerra entre Zulus e o Império Britânico, a batalha de Rorke´s Drift... Menos de 100 soldados de sua majestade, de colete vermelho e capacete branco replandescente contra 4 000 guerreiros Zulus, de tanga, lancinha e escudo de couro...

Mais do que uma espécie de western o filme faz me lembrar os confrontos entre Legionários e Bárbaros nas fronteiras do Império (tipo a batalha inicial do gladiador)...
Aliás à coisa de um ano ou dois lembro-me de ler notícias sobre batalhas travadas entre Britânicos e Talibans (ou neo-Talibans, ou Resistência Afegã, é capaz até de ser o mais correcto) que n eram assim tão diferentes desta... Se bem que parece-me que hoje em dia, felizmente, o diferencial tecnológico(e n só) n é tão grande... Já n é tão fácil fazer Impérios à ponta da Baioneta e da Maxim. Ainda bem.
Bem mas é como digo, pa quem gosta de filmes de guerra este é dos melhores!
Esta ode à bravura de John Bull foi realizada por um Norte-Americano, perseguido pelo Macartismo...

Em 1979 fizeram uma prequela do filme acima, Zulu Dawn, segue o início imediato dessa guerra e foca-se na batalha que se deu no dia anterior aos "heroicos" eventos retratados no filme de 1964. Acaba por ter mais meios e "estrelas" superiores a Zulu, tem imagens mt boas, mas no global n tá tão bem montado, dá muito mais gozo ver o primeiro filme... De qq das formas é importante, a batalha de Isandlwan foi a maior derrota de um exército moderno ocidental às mãos de uma horda de guerreiros com tecnologia da idade do ferro.

Na senda das lendas imperiais vem este Karthoum, a saga do Mahadi e do "chinese" Gordon, os eventos retratados neste filme passam-se 3 a 4 anos após os dos filmes acima. Ainda estamos em África mas desta vez no Nilo e o que está em jogo é o controlo do Egipto e Sudão. O filme tem diálogos interessantes e é pedagógico ver associações de beneficiência e afins a protestarem a favor de uma invasão imperial... Bem n sei se foi bem assim... é como retratam no filme. Mas pa quem gosta de épicos vale a pena e é uma grande estória de um conflito n mencionado muitas vezes (que ainda foi importante...).
Aliás até é importante pa se perceber melhor a questão do Darfur e dos novos Mahadis...

Este é bem mais recente, de 2002, não foi tão falado qt aquilo q eu axo q o filme merecia... Não só a fotografia é mt boa (as cenas que se passam no Sudão são espetaculares), como a estória é original.
Um jovem oficial de cavalria (ainda por cima...) que se demite qd sabe q será enviado pó Sudão... Manchado com a infâmia da cobardia o "herói"acaba por embarcar à mesma para o Nilo, mas vai sozinho e a sua missão não é marchar contra o Mahadi... Um dos grandes papéis de Heath Ledger.

São crónicas do final do século XIX a Era do Império ...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Animação Soviética, da REVOLUÇÃO INTERPLANETÁRIA ao pacifismo Brejeneviano (e outras coisas…)

Nunca vi os programas do Vasco Granja, embora já tenha ouvido falar, num dos primeiros panfletos (se n o primeiro…) para jovens do BE feito em 1999, dizia-se às tantas: “somos uma geração que... blá blá blá… e cresceu a ver o Vasco Granja”… Pois, eu não, pq nos Açores n havia disso.
De qq das formas nem sei se o que vou partilhar convosco é o tipo de coisas que o Vasco Granja passava… Só sei que é brutal e muito instrutivo…

Antes de entrar mais a fundo apresento este de chofre, é de 1971, é a história de um jovem pioneiro violoncelista face à invasão Nazi… é dos mais bonitos…





Mas indo ao início, em 1924 a brutal Guerra Civil Russa tinha já terminado e o movimento popular tb havia sido manietado, a NEP havia sido instaurada à pouco e foi o ano em que Lenine morreu… Ou seja, estamos na madrugada do estado Soviético…
A ideia dos Bolsheviques, era que a Revolução na Rússia seria apenas o tiro de partida para a Revolução Mundial. Tanto Trotsky como Lenine sabiam que a Rússia não possuía os recursos humanos, materiais e culturais para erguer o socialismo.
Consideravam o Império Czarista o elo mais fraco do sistema, certamente que o “proletariado” da Europa ocidental, nomeadamente Alemanha e Áustria, vendo o exemplo Russo tb se iriam erguer em Revolta… Com os recursos e tradição histórica da Europa Ocidental, aí sim, os Sovietes teriam as condições de construir uma nova sociedade livre e igual…
A realidade trocou-lhes um bocado as voltas, mas uma das primeiras animações realizadas no novo país dos Sovietes tem o impressionante nome de…

REVOLUÇÃO INTERPLANETÁRIA!

“Um evento provável em 1929”, Gandas Malucos!!! O Guerreiro do Exército Vermelho é enviado para Marte para derrubar o Capitalismo Marciano! O Filme acaba com uma espécie de teleconferência após o sucesso da sublevação Marciana. Brutal!

Socialismo num só país? Revolução Mundial?? O que é isso? Revolução Interplanetária! má nada! Pá a ousadia… é surpreendente e o estilo tb é do caraças…





Aliás, já “down to earth” esta outra animação de 1925 (tb das primeiríssimas) é impressionante, chama-se…

CHINA EM CHAMAS





Não sei se até n daria para recuperar estes filmes, o som e imagem, são espectaculares, mas precisavam de ser “polidos”. Nesta onda há tb o CINEMA VERDADE LENINE, a forma como Lenine aparece é do caraças… É de um surrealismo-futurista impressionante.

AVE MARIA

É interessante comparar estas obras “germinais” com algumas peças dos anos "Brejenevistas"… Ave Maria (1972), tal como China em Chamas, fala-nos sobre uma revolução-luta de libertação nacional, no sudeste asiático, desta vez o Vietnam… Mas os alvos a que se dirige a mensagem e o seu conteúdo são muito diferentes…
Do ponto de vista “estético” estes papam-se muito melhor, n têm a rudeza dos primeiros, aliás são lindíssimos… Este Ave Maria é um espectáculo…





A seguir, CONFLITO, é mais abstracto e contra a guerra e violência em geral, também é muito bom e do mesmo período, 1983.





Mas estamos a milhas da Revolução Interplanetária… O objectivo já não é propagar a revolução até ao limite, “the sky is the limit” (e nem isso!)…
Por um lado são inteligentes, é um apelo ao movimento de massas no ocidente para a Paz e para forçar os seus governos a seguirem uma política de “conciliação” com o mundo comunista… tipo “vá n sejam maus, a guerra é má e não nos devemos matar uns aos outros…”, vamos tentar viver lado a lado. Aliás este último “Conflito” é lançado já em plena contra-revolução conservadora com a Tatcher e o Regan a bombar…

Mas qual conciliação? Quando o centro Imperialista (EUA-Reino Unido) optaram por subir a parada, o destino da URSS ficou selado… A Regan e o Tatcher n viram os cartoons… ou n ficaram convencidos… enfim…
Nos anos 70 a URSS até parecia estar aumentar o seu poder, mas os limites do sistema soviético já tinham sido atingidos e a sua postura ideológica é completamente defensista… O resultado foi o que se sabe...
Isto vê-se tb na comparação dos seguintes filmes…

PRETO E BRANCO





Grande som e imagens… Na propaganda anti-Imperialismo made in URSS um dos ceguinhos onde batem mais é no racismo. Este filme dos anos 30 foi feito após a visita de Vladimir Mayakovsky ao sul dos EUA e baseado num poema que escreveu na altura. Eram dias onde o linchamento de Afro-Americanos era prática corrente…

Nos anos 60 o tema tb é abordado, mas de forma bem diferente, o cartoon MR TWISTTER é muito giro, mas na minha opinião completamente tótó… Os cidadãos soviéticos dão uma lição civilizacional ao plutocrata gringo racista que decide ir passar férias a Leninegrado cumprindo um capricho da sua filha mimada… Isto era para quê? Para os cidadãos soviéticos sentirem uma espécie de “superioridade moral”face aos gringos racistas?
Sinceramente axo mt mais fixe (e estratégicamente consequente) a forma como abordam o problema no primeiro filme… Mas tb já perceberam que sou bem mais do tipo “Revolução Interplanetária” do que “Ave Marias”…

SOVIET PROPAGANDA MOVIES

Já agora para ficarem com uma espécie de síntese… Deixo aqui um documentário dividido em quatro partes (feito nos EUA):

1 - American Imperialists
2- Fascist Barbarians
3 – Capitalist Sharks
4- The Bright Future, Communism




Sinceramente axo que dão uma visão muito condescendente, tipo “eles até eram grandes artistas, mas estavam tão iludidos… coitadinhos”… Às páginas tantas tb referem um certo continuísmo nas personagens e histórias retratadas. É certo que existe um fio condutor, quer dizer, o Capitalista é sempre o mau da fita, a Revolução de Outubro é sempre glorificada, mas notam-se as diferenças brutais… que acima já referi… De qualquer das formas a Revolução Russa não foi vítima de nenhum processo Termidoriano*, quanto muito foi vítima de um processo degenerativo do qual a evolução na animação não deixa de ser um sintoma…

Já agora, pq a propaganda n tem copyright soviético, aqui fica um filme delicioso da Disney sobre a II Guerra, este sim vi eu qd era puto, n sei pq na RTP Açores passavam muito frequentemente, e eu adorava! Chame-se ...

BLITZ WOLF




MAIS

Mas há muito mais na animação soviética, desde o menino pioneiro que brinca aos “índios e cowboys” (versão revolução russa), o delírio Utópico-Produtivista-Stakhanovista, ou este conto de fadas tradicional/fantástico…






BONUS

E agora? Bem, não é animação soviética mas tb é muito giro, este primeiro é Francês,




Para terminar, LOL, puro Fetiche… é que o PC Japonês tem tado a crescer (a sério)…




LOL LOL LOL, mt bom.

*sei q há quem n concorde com isto, até pq daqui se tiram algumas conclusões complicadas… é que Estaline não desceu de um OVNI vindo de Marte em 1924, nem era uma espécie de bacilo latente… bem mas isto é assunto pa outro Post…

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Importância da Performance, Marco António discursa no funeral de César

Por falar em Performances... Por vezes há a sensação que as performances, o teatro, são instrumentos para fins meramente recreativos... A verdade é que as palavras, sobretudo se conjugadas com uma boa encenação, podem ter um poder tremendo.

Trago aqui um exemplo real disso mesmo, em 15 de Março de 44 AC Julio César é assassinado por um grupo de Senadores...
Pequeno parêntesis... É preciso dizer que César era do "partido" Populares, por oposição aos senadores conspiradores que eram Optimates... Ou seja, César foi assassinado não tanto por ser um "tirano" que queria destruir a "República", mas sobretudo porque estava a lançar um conjunto mais profundo de reformas em favor da Plebe e a levar acabo uma reforma administrativa capaz de dotar a República de instituições adequadas para governar um Império que na altura já abarcava quase todo o Mediterrâneo... Claro que César já se tinha assumido como "Ditador Perpétuo", mas tinha tb recusado a coroa que Marco António lhe havia oferecido numa cerimónia pública, ainda por cima, devido às suas vitórias militares e às reformas sociais em curso, César era venerado pelo povo... É assim que temendo pela sua posição social-política e económica, um conjunto de Senadores (que representavam a maioria do sentir do Senado) conspiram e cometem o assassinato de César...

Voltando à performance, Marco António, espécie de nº2 de César(se calhar mais conhecido pela estória de amor com Cleópatra), tb ele um dos Populares, tem de fugir do senado qd César é assassinado, os Conspiradores parecem que são donos da situação... Mas passados dois dias há o funeral de César, nesse funeral dois discursos ficaram para a história...
Brutus (dá a cara pelos conspiradores) faz o discurso contra o tirano em que justifica o seu acto perante a multidão. Marco António faz o elogio fúnebre a César, mas fez bem mais do que isso, este foi, literalmente, um discurso incendiário-populista! As suas palavras exactas não chegaram até nós, mas o tom, temas focados e as consequências estão documentados (inclusive os seus gestos mais teatrais).

No filme Julius Caesar, baseado na peça de Shakespeare, à uma performance brutal de Marlon Brando, que desempenha o papel de Marco António... A cena é exactamente o discurso no funeral de César e segue os relatos históricos...




O texto de Shakespeare é este. Não encontrei com legendas, mas há esta versão em Castelhano (LOL)...


Depois deste discurso o Povo em Fúria queimou o Senado e perseguiu os assassinos, não do Tirano... mas do "Amigo do Povo", líder do partido Populares.

Estas histórias e personagens andaram por aqui há mais de 2 000 anos...
Mas isto do líder popular-carismático, acusado de tirano pelas elites, mas que tem apoio da maioria do povo e até está a tomar umas quantas medidas "progressistas", faz me lembrar outras histórias bem mais recentes...

É também um exemplo longínquo do poder da palavra e das massas... António, na altura, não tinha o comando de nenhuma força armada, foi mesmo o povo em fúria que expulsou a elite da cidade. É verdade que o sentimento estava lá, mas foi a "actuação" de António que lançou a faísca que incendiou a pradaria. Foi um momento decisivo e precipitou a queda da velha República. Esta foi uma Performance que mudou Roma e o Mundo....

sábado, 13 de junho de 2009

Flame & Citron, Sem Tréguas

Este filme estreou cá no cantinho na passada quinta-feira, não vi nenhuma crítica ou artigo sobre isso. Aliás hoje no público,na parte do cinema, nem estava referido como estreia da semana... Está em cartaz nas Amoreiras e no Corte Ingles.
O Filme retrata a História real dos dois mais famosos Resistentes/Partisans (é assim que um alemão a eles se refere) Dinamarqueses. É um filme impressionante e que vale a pena. A realidade supera em complexidade e tragédia qq fantasia...







Aliás, o fime muito me lembrou um livro chamado "Sem Tréguas", de Giovanni Pesci, que por acaso encontrei um ano destes na feira do livro e li avidamente. É o relato de um Partisan Italiano, sobre a luta desenvolvida apartir de 43 contra os Nazis e a República fantoche/fachista de Saló, com alguns flash backs à guerra civil de espanha, onde o autor tb combateu.
Uma das cenas do filme parece tirada desse livro...









Esta brilhante peça de cinema dinamarquês (mais uma) vem num timming perfeito. Viram os resultados das eleições europeias fora de portas? Pois é, recomendo vivamente a leitura do post escrito pelo Nuno Ramos de Almeida que pus aqui.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O Melhor Filme de Guerra, Stalingrad(1993)


Talvez por ser alemão, talvez porque o timming tenha sido menos bom (1993... plena época de pensamento único e da política light com sorriso pepsodent), este não é um filme muito falado, só o vi uma vez por acaso no canal Hollywood, fiquei siderado... É, para mim, o melhor filme de guerra feito até hoje.



O Filme segue a história de um grupo de soldados alemães. Começa num tom alegre, eles vêem do solarengo mediterrâneo, depois de terem estado a lutar pela Europa e Norte de África... Estão num comboio com destino à Rússia pois serão enviados para a frente leste. Cheios de confiança após várias vitórias, a próxima missão tb não deverá ser nada de transcendente... São um batalhão de infantaria de choque cujo objectivo é ajudar na ocupação final de... STALINGRAD!

Já estão a imaginar o final(lol, é que também há tragédias felizes)... O filme é brutal, de uma beleza trágica, do feliz e confiante início o batalhão vai grão a grão, dia à dia, se desintegrando, como de resto, todo o exército alemão... A partir de certa altura o espectador apercebe-se da inexorabilidade do destino que está reservado àquele grupo de homens... de como um passeio de final de verão se transforma num inferno gelado.

É um bocado pesado e realista, não tanto os efeitos, se bem que a produção está ao nível (ou até acima pq n há palhaçadas q se vê logo que foram feitas por computador...) de Hollywood, é mais pela história em si, pelo guião. Milhas acima de soldados ryans e outros que tais. Afinal isto não é um "war movie" é um "Anti-Kriegsfilm" , o que faz toda a diferança...

Para além do Trailer acima deixo vos um clip da cena em que eles lançam um assalto a uma fábrica defendida pelo exército vermelho...



Já agora, só para terem ideia de como a guerra foi travada do outro lado, coloco tb um clip de um filme muito inferior, Enemy at the Gates (O Jude Law até se esforça, mas...), provávelmente nem fará parte do meu "top 10" filmes de guerra... Mas este clip, o início do filme, está mt bom, aliás é a melhor parte do filme! Se o resto tivésse este nível...

domingo, 31 de maio de 2009

The Preacher, o melhor de Clint Eastwood

Ontem, a fazer zapping deparei-me com este filme. Já o vi várias vezes, é para mim o melhor de Eastwood. Muito mais do que os últimos (que tb se comem, mas...), é espetacular sobretudo pelo que deixa subentendido e implícito. As cenas e diálogos são simples, mas abrem sempre porta para o passado e o futuro, quem assiste fica com umas dicas e imagina o resto... O protagonista nunca responde pelo nome, é pura e simplesmente o "Preacher"...

O título em português é "Justiceiro Solitário", é mais um exemplo de mestria e criatividade de quem traduz os títulos... O original é "Pale Rider", Pale supostamente é o nome de um dos cavaleiros do apocalipse...
Pensei com os meus botões que era muito semelhante a um filme antigo que me lembrava vagamente, "Shane", e ao pesquisar descobri que é mesmo uma espécie de remake não oficial.

Este filme chegou a ser nomeado para a palma de ouro em canes e ganhou uns prémiozinhos. Alguns consideram-no o melhor western dos anos 80. Para mim é o melhor filme de Clint Eastwood e um dos melhores que já vi.
O Eastwood teve muita sorte em participar nos western spaghettis, na altura se calhar foi uma solução de recurso para ele... é engraçado como o mundo dá tantas voltas...