sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Os Cães Ladram e a Caravana passa, a República Popular da China soma e segue...
Parece que atribuíram o Nobel da Paz a um dissidente Chinês, a malta fica contente e acha bem... mas a postura do nosso querido Durão Barroso (como líder é o paradigma do estado a que esta Europa chegou) é sintomática, Barroso aplaude Nobel mas não insiste na libertação de Liu Xiaobo.
Aliás de que mais se estaria à espera? Neste momento o primeiro ministro Chinês está de visita à Europa e parece o Pai Natal a distribuir benesses, apoio à economia Grega com investimento directo, promessa de comprar a dívida Grega e apoio a um Euro estável.
Claro que para a China a existência de uma alternativa ao Dolar como moeda de troca no sistema internacional é fundamental (até chegaram a propor a criação de uma nova moeda). Para além disso é a oportunidade óptima para adquirir activos a preço de saldo no continente Europeu, depois do fortíssimo investimento em África e da compra de títulos do tesouro dos EUA a China vira-se para o velho continente quando ele está mais frágil... A ver vamos no que isto vai dar.
Há para mim um dado muito revelador do crescente poderio do Dragão Vermelho, é que a China hoje em dia não apenas produz mais automóveis que os EUA, mas é também o maior mercado mundial. E enquanto EUA e Europa se vão arrastando na crise, no Oriente a expansão continua.
Portanto, os Cães podem ladrar mas a Marcha dos Voluntários segue e cada vez mais alto, sobre a firme batuta do Partido Comunista Chinês!
Até agora a relação China-Ocidente tem sido bem mais complementar que competitiva. Mas creio que a médio prazo essa complementaridade está condenada, é que se nada de extraordinário ocorrer a China em breve será a potencia dominante mundial e a crise actual só veio servir como catalisador para esse processo. Mas isso é se nada de extraordinário acontecer e acho muito difícil que os EUA cedam de bom grado o seu papel de líderes mundiais, até porque isso lhes confere uma série de privilégios inalcansáveis por qualquer outra nação... Está a liderança dos EUA pronta para efectuar uma transição suave? Estão largos sectores da sociedade Norte Americana prontos para abdicar do seu "way of life"??? I don´t think so... pelo menos sem antes estrebucharem bem.
Entretanto o papel da Europa no meio disto é um tanto ou quanto incerto, a única coisa que sei é que "se nada de extraordiário acontecer" será cada vez mais irrelevante no sistema mundial...
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16:47
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terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Afinal quem é que é Terrorista?
Parece que já é a 3ª pessoa ligada ao programa nuclear Iraniano que desaparece em circunstâncias suspeitas ou é morto... Este foi mesmo morto com uma bomba por controlo remoto... Parece que à mãozinha da Mossad.
Directa ou indirectamente nenhum estado no mundo apoiou mais actos e grupos terroristas que os EUA a grande potência Imperial dos nossos dias... Desde grupos semi-criminais no sudeste asiático, a esquadrões da morte na América Latina, Talibans no Afeganistão, grupos de extrema direita em Itália... eu sei lá... e depois os outros é q são os terroristas, é preciso cá uma lata! Mas isso nunca faltou, nem há de faltar ao Império, a este, aos passados e aos que ão de vir (veremos os que ão de vir...).
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23:08
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terça-feira, 15 de setembro de 2009
Norte e Sul
Para além de ser uma boa "telenovela" a série acaba por ser também bastante rigorosa no retrato que faz da Guerra Civil e dos anos que a antecederam... Vale a pena vê-la ou revê-la, tá toda no youtube.
Neste post, escrevi acerca deste conflito o seguinte:
Foi o aumento dos lucros obtidos com o sistema esclavagista no sul dos EUA com a invenção de um novo engenho (em 1794) que facilitava o processamento do algodão, que conduziu ao aumento da escravatura em meados do século XIX no Sul, na verdade esse modo de produção torna-se de tal modo competitivo, que um confronto violento com o Norte Industrial-Capitalista torna-se inevitável. A mais brutal guerra travada pelos EUA, uma guerra "entre irmãos"...
(foi a guerra, até hoje, que vitimou mais cidadãos norte-americanos e mais danos materiais causou, sobretudo no Sul, abaixo está uma música escrita como ode a essa destruição e à libertação dos "Darkeys"...)
| Tennessee Ernie Ford - While We Were Marching Through Georgia | ||
| Found at bee mp3 search engine |
De facto, o conflito foi para saber quem mandava, se a Aristocracia Sulista que vivia da exportação de algodão para Europa (produzido em grandes latifúndios com mão de obra escrava), ou a Burguesia Industrial do Norte, mais interessada em desenvolver o mercado interno para os seus bens (e bloquear as importações da Europa). Mas claro que o fim da escravatura jogou um grande papel, sobretudo porque deu a superioridade moral ao Norte, e "para q serve isso?", serviu para o Norte Capitalista ter uma "Causa" moral que mobilizou uma importante e militante minoria contra o Sul e a favor da União e mais ainda, contribuiu para que o Norte tivesse a simpatia da opinião pública no Reino Unido e França.
Este último dado é fundamental, pois sobretudo a Inglaterra, esteve por um triz para entrar na Guerra ao lado dos Confederados (Sulistas), se isso tivesse acontecido a Guerra teria tido um desfecho bem diferente...
Tudo isto pa dizer que a percepção de "legitimidade" e de "superioridade moral" são dois componentes muito importantes nos conflitos, não são determinantes só por si, como há n exemplos q o demonstram (por exemplo na Guerra Civil Espanhola, não serviu de mt legitimidade da legalidade...), mas que dão uma enorme ajuda dão.
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14:19
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Roma já está a Arder!

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17:30
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Obama, Honduras e Império

Na passada terça, em Lisboa realizou-se uma concentração no Rossio contra o golpe de estado em curso. Aqui está o apelo...
Já há algum tempo que não escrevo sobre o assunto... a situação, na minha opinião, não é catastrófica, mas tb não é nada positiva... Todas as tentativas (a mais espectacular foi qd tentou chegar de avião... e estavam centenas de milhares de pessoas junto ao aeroporto para o receber) que Zelaya fez para regressar às Honduras foram bloqueadas pelos militares... Se bem que os protestos continuam, dá me ideia que com o passar do tempo mais hipóteses há de o putsh se oficializar.
O pior desfecho possível para esta situação seria a aceitação, de facto, das exigências do regime ditatorial... O congelamento do processo constituinte, o afastamento de Zelaya da vida política e o corte com as políticas sociais seguidas.
Mesmo que Zelaya regresse, de que vale a pena ele regressar se tudo o que andou a fazer vai pó caixote do lixo?
Se os responsáveis pelo golpe permanecerem nos seus postos que garantias é que isso dá há democracia (nem digo q todos tenham de ser julgados! mas removidos dos seus cargos...)? Dá a garantia que sempre que os interesses da oligarquia forem beliscados o exército será chamado para "reestabelecer" a ordem e a "democracia"(deles claro...).
Mais, uma solução desse tipo daria enorme alento a todas as elites para seguirem este tipo de métodos! Eles bem q têm tentado na Venezuela em 2002, na Bolívia o ano passado, mas até agora todas as tentativas de intimidação têm falhado... Se agora forem bem sucedido é um balde de água fria pra cima do movimento popular por toda a América Latina...
Assim sendo, uma solução à "Clinton-Obama", acaba por ser uma rectificação dos objectivos políticos do golpe... Para mais nas Honduras, muito mais que na Venezuela (e outros países com governos progressistas...), as instituições estão 100% nas mãos da oligarquia (Congresso, tribunais, exército...), numa situação destas é muito difícil avançar sem quebrar com essas próprias instituições. Enquanto na Venezuela grande parte do exército e mesmo sectores da Justiça, puderam ser usados como ponto de apoio de reformas e dissuasores de acções de sabotagem, nas Honduras o Presidente e o movimento popular estão completamente isolados...
Esta é o momento para se poder fazer uma limpeza geral nessas instituições, só assim poderá o processo prosseguir.
Não estou no terreno, nem tenho bem presente a exacta correlação de forças, logo não vou mandar bitaites sobre o tipo de métodos a usar para derrotar o golpe. Só digo que quem está no terreno deve pesar bem as alternativas e não ter pre-conceitos em relação a nenhuma. O pior que poderia acontecer em toda a América Latina seria a vitória, de facto, dos golpistas.
O governo Venezuelano está perante um desafio complicado, deverá dar todo o apoio necessário ao movimento popular hondurenho para reverter a situação. Não basta Chavez fazer discursos inflamados é preciso acção para reverter a situação e como disse, avaliando a correlação de forças no terreno, nenhuma alternativa deve ser descartada e "há muitas maneiras de esfolar um gato". Aliás, e eles têm consciência disso, nas Honduras joga-se o futuro da Revolução Bolivariana. É minha opinião, inclusivé, já de há +- um ano pa cá, que o futuro da Processo Bolivariano joga-se, neste momento, mais no palco latino-americano, do que dentro das fronteiras da Venezuela...
E o Obama? Até começou bem, mas vejam os comentários da Clinton à tentativa de regresso de Zelaya...
Para além da imagem projectada pelo topo, a verdade é que o governo dos EUA jogou um papel importante no golpe, a embaixada, os militares, a School of the Americas, etc... Basta perguntar se todas as contas nos EUA pertencentes a elementos envolvidos no golpe foram congeladas? Pois... O Império percebe que não pode usar força bruta em todos os teatros, por isso tenta de mansinho ir levando a água ao seu moinho...
Abaixo coloco a intervenção de Tariq Ali no Marxismo 2008, nela Tariq diz mt coisa... Algumas mt importantes são:
- Só há política progressista se houver pressão da base, do movimento social, nos anos 30 Roosevelt só teve força para aplicar o New Deal porque foi empurrado/apoiado pelos sindicatos e outros movimentos. Esta é uma grande diferença entre a crise de 29 e a actual, é que na altura havia uma URSS e a luta social estava em ascenso;
- Calígula foi bem diferente de Cláudio, Obama de Bush, mas todos são Imperadores e o "hábito faz o monge"...
Ao contrário do que disse para a Venezuela, o governo Obama será bem sucedido*, sobretudo, se no plano interno conseguir fazer passar algumas reformas, educação, saúde, segurança social e o "green new deal", por enquanto parece-me que estas propostas andam a circular mas ainda estão mt, mt longe de serem concretizadas...
Aliás, deixo-vos aqui uma excelente reportagem da AlJazeera (exemplo que se podem fazer notícias mainstream com rigor, seriedade e com temas de grande interesse) sobre o conflito no estado de "West Virginia", entre ambientalistas e activistas locais que querem preservar as montanhas e apostar na energia eólica e a indústria do carvão que pretende rebentar com as montanhas e sacar o combustível... é mt interessante.
O Obama na campanha em discursos até deu como mau exemplo a destruição das montanhas Apalaches! E, bem, aproveitou para falar na aposta nas energias renováveis, etc...
Na prática o governo Obama (a instituição que regula a actividade mineira) autorizou a companhia mineira a destruir as montanhas contra a vontade das comunidades e activistas... Mas, o movimento está a crescer e recentemente ocorreu a maior manifestação de sempre a propósito deste tipo de temas. A esperança dos activistas é ganhar tempo, para que o governo federal legisle contra este tipo de prática (mountain top removal) e apoie o projecto de uma "quinta eólica".
Lá está, o movimento também se galvaniza pq espera através da mobilização pressionar Obama a implementar o programa que ele próprio enunciou na campanha! É a dialéctica... Porque Obama não fará nada de substantivamente progressista se a isso não for obrigado... e nem é tanto obrigado, ele por mais que queira é um homem isolado por gabinetes, secretarias, lobistas, grupos de pressão, agências governamentais, eu sei lá... todas com uma inércia, todas (ou quase) claramente ao serviço dos interesses estabelecidos...
De qq das formas o facto de o movimento estar a crescer é positivo, espero que o mesmo comece a acontecer noutros sectores, aliás por isto mesmo é que disse que uma vitória de Obama seria mt importante... N por esperar que o Império mude de natureza apenas porque o novo Imperador é um "porreiro", mas porque a sua escolha pelo povo dá um sinal galvanizante para todo o movimento popular...
Ou seja, com ele as condições para a acção e crescimento do movimento popular são bem maiores do que se o outro fosse eleito, agora as políticas só mudaram se o movimento conseguir aproveitar o espaço e impor a sua agenda.
(pelo menos introduzir um pouco de racionalidade no processo de decisão, de forma a que não seja apenas o grande capital a ditar os seus termos, prioridades e necessidades)
*bem sucedido no sentido de não desmoralizar e desanimar completamente as pessoas que votaram nele... sim pq Bush será uma piada comparado com o q vem a seguir caso Obama claudique completamente, aliás vai ser cá uma confusão...
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14:43
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domingo, 19 de julho de 2009
11 Lições, por um dos cérebros do Império
Robert foi um aluno brilhante em economia, matemática e filosofia... Acabou o MBA em 1939 e durante a guerra foi um dos pais da "análise de sistemas", do uso de estatística aplicado de forma sistemática ao processo de tomada de decisão (coisas q andei a estudar este ano...)... Foi depois presidente da Ford, Secretário de Estado de Kennedy e Johnson onde dirigiu o esforço de guerra do Império contra o bravo povo Vietnamita... Após essa guerra foi durante anos o presidente do Banco Mundial.
Ou seja, este foi um homem, brilhante, que esteve no olho do furacão de diversos eventos cruciais da nossa História... Na ciência, Política, Guerra e mundo de negócios... Para além dos juízos morais muito há a aprender com o seu percurso e reflexões...
De facto, o interesse disto tudo é que em 2004, lançaram um documentário "The Fog of War", que é simplesmente brutal! Nele Macnamara percorre vários episódios da sua vida... e dela retira "11 lições" é extraordinária a lucidez, rigor e honestidade com que enfrenta os seus demónios e acções... Não inventa desculpas, contextualiza, argumenta, confessa erros cometidos e levanta questões.
O interesse é que este não é um Pino ou Lino, não é um "chico-esperto" ou "bem-nascido" que assim se alçou para os mais elevados cargos. Macnamara é um verdadeiro Mandarim Imperial. Ocupou os cargos devido à sua competência e devoção à "causa". É por isso que o documentário é interessante, não é alguém básico a tentar simplesmente justificar as suas acções, cobrir de insultos os inimigos e a elogiar os chefes. Não, ele faz um exercício de análise crítica àquilo que fez e viu e daí tenta tirar algumas conclusões... Imprescindível!
Abaixo tá o trailer, para ver tudo vão aqui!
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15:02
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Obama e a História
Simon Schama, Rock Star da história, vai protagonizando (a palavra é mm essa) documentário atrás de documentário. Este que aqui apresento é uma história "do futuro da América" e partindo das eleições de 2008, Schama vai à história procurando as raízes das questões e conflitos que emergem nesta campanha.
O tipo curte ser pop star, mas vale muito a pena
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13:38
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Obama, Barak Hussein Obama.
Tal como as sonsagens previam, ganhou o afro-americano.
Mais do que a imensidão de coisas, aliás repetidas, que se têm dito sobre Obama, eu gostava de contrapôr outras ideias acerca deste assunto:
Diz a Natasha que , no fundo, Obama é um rosto redentor do "sistema" capitalista americano, que vem adiar a queda do império. O que me apetece responder é que me parece que a Natasha fala como se nos EUA a política não fosse feita por pessoas de carne e osso. Nem tudo o que acontece naquele país está programado nas ultimas versões da microsoft...A política, lá como cá, é feita por pessoas, tem as suas teias e o seus bastidores, que nós, mesmo cá, não vemos, e tem também o seu grau de imprevisibilidade. Se por um lado poderá haver alguns empresários mais inteligentes que vêem em Obama uma forma mais inteligente de defender a imagem dos EUA e por isso lhe deram tanto dinheiro para a campanha, muitos outros há que dariam tudo para que ele perdesse porque sabem que as tendências dos EUA vão mudar: Será dificil à nova administração não assinar Quioto, por exemplo, e isso terá consequências económicas internas; haverá um novo rumo a dar nas políticas de saúde, e isso terá consequências económicas não só na área da saúde mas também no mercado de trabalho.
A verdade é que ainda nem Obama tinha ganho e já todos estavam a antecipar a ideia de desilusão . Percebo o mecanismo defensivo por detrás, como forma de prevenir que se magoem em caso de queda, mas penso que é uma atitude intelectual e psicologicamente atávica.
Nada do que se passar daqui para a frente está garantido, quem acha que o jogo está feito está apenas a baixar os braços, o que por vezes é também uma atitude fácil, é a atitude dos preguiçosos, que desistem de lutar. A única coisa que aconteceu até agora foi que não ganhou McCain, cujas raízes políticas não dariam margem de esperança nas suas decisões.
A vitória de Obama abre muitas oportunidades, incluindo aos interesses da direita e das multinacionais do petróleo e da guerra, mas penso que abre mais oportunidades aos que defendem um mundo mais igual, mais integrador, mais apoiado no multilateralismo, e mais consequente em relação às alterações climáticas.
Penso que nada está ainda definido, a luta está em aberto, por isso exige trabalho e força para poder fazer pender o campo de forças para o lado da esquerda.
Dar já Obama como mais um caso de sucesso de marketing e pouco mais, é cínico e fatalista. As teias da política americana são grandes e complexas, mas as da Europa não são menos, e as da esquerda em Portugal também não são tão claras como se fazem crer. No entanto, em relação as estas últimas, todos parecem sempre satisfeitos, como se por um lado tivessemos os processos políticos da esquerda, claros e limpos, (quando o não são, relembro caso coligação Lisboa, por exemplo) e por outro os dos EUA, onde tudo é apresentado em "pack" de origem...
Quem quiser ver a realidade a preto e branco pode fazê-lo, mas ela está cheia de cores e matizes que nós temos constatemente que lutar por pintar ao nosso gosto, senão outros o farão por nós...
Noam chomski, figura que gosto sempre de ler, desta vez enganou-se, ao prever que McCain ia ganhar. Ainda bem, mas mais uma vez denoto aqui a tal atitude pessimista, de quem costuma estar do contra, e que, embora acerte muitas vezes, por fazer sobrepor sempre o excesso de racionalismo à vontade de que o sentido História efectivamente mude, acaba por adoptar uma atitude que de tão prudente se torna bloqueadora.
Finalmente, para quem ainda estiver a ler este texto gostava de dizer o seguinte: Durante a campanha, Obama fez afirmações sobre o médio-oriente que alinhavam com a política habitual dos EUA para a região. Eu não estou à espera que ele venha defender os interesses de outro país que não os EUA, ele foi eleito presidente dos EUA e não de mais nenhum outro país, por muito que achassemos justo que, dado o poder que tem, defendesse também o interesse de outros. Mas numa altura em que a Rússia parece querer voltar a falar em voz grossa, cabe-nos a nós lutar contra uma bipolaridade do tipo , "eu prefiro os EUA desde que sejam liderados por boas pessoas, defendem o "nosso modo de vida" " ou " e eu prefiro a Rússia porque sou contra o poder americano", mas devemos, isso sim, construir um mundo onde efectivamente seja impossível a um só país dominar todos os outros, e onde todos os continentes estejam representados por pelo menos 1 ou 2 paises.
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quinta-feira, 27 de março de 2008
O Regresso do Mahdi
Há coisa de poucos dias a Guerra do Iraque fez 5 anos, é o conflito, a contradição mais determinante dos nossos tempos. Este brutal conflito não só vitimou mais de 4000 soldados ao serviço do Império (já para não falar dos serviçais civis e dos mercenários contratados, cujos números são menos conhecidos), não só deu origem ao maior movimento de refugiados dos nossos dias, não só se calcula que tenha vitimado cerca de um milhão de Iraquianos… Este conflito demonstrou que a marcha Imperial não será uma procissão triunfal a que a populaça assiste alegre atirando flores ao cortejo… Não, não só o mapa de um novo médio-oriente, a surgir, será em sentido oposto ao pretendido pelos EUA e Israel, mas também no resto do mundo se abre espaço para alternativas aos dictats de Washington, veja se o caso da América Latina.
Vivemos novos tempos, o “fim da história”, o “consenso de Washington”, a globalização feliz, pertencem já a outro momento… As contradições inerentes ao desenrolar do processo histórico irrompem ao rubro, regressamos a uma era de conflitos, o consenso já não é regra, o que é extremamente positivo é o sinal, é a prova, que existe esperança para além da inexorável caminhada rumo à Barbárie neo-liberal tutelada pelo Imperador na Casa Branca. Obrigado Resistência Iraquiana, obrigado Hezbollah (a histórica vitória da resistência Libanesa face a Israel foi também um momento decisivo dos últimos anos), obrigado Chavez, obrigado a todo o movimento popular que se manifesta do Nepal (maoistas derrubam monarquia absoluta), passando pelo Tibete, Paris(derrota do CPE e no referendo à constituição), Alemanha (nova esquerda dá cartas) e mais exemplos há! Veja-se o nosso cantinho também, muito se pode fazer haja vontade e unhas para tocar guitarra! Bom claro que com análises como a que abaixo cito não vamos a lado nenhum:
A esquerda tem sido derrotada. Desiluda-se quem, constatando esta derrota, procura para ela um alibi restringindo esse recuo à Europa e pretendendo que, na América Latina ou na Ásia, se erguem novos contingentes de combates iluminadores. A situação nesses continentes é provavelmente pior do que na Europa, dada a violência da ofensiva e a fragilidade das condições da resistência. A Argentina serve de exemplo: onde a tradição do movimento operário era mais enraizada, onde a esquerda revolucionária era mais organizada, onde a revolta popular deu origem a movimentos de auto-organização que determinaram o colapso de sucessivos presidentes, foi onde o recuo se instalou mais depressa. No Brasil, onde a possibilidade de mudar a relação de forças era mais óbvia, a capitulação do PT fez a esquerda recuar uma geração.
A esquerda tem sido derrotada pela globalização realmente existente. Pela estratificação do desemprego e pela precarização da estrutura do trabalho, pelo avanço do liberalismo, pela unipolaridade mundial do supra-imperialismo, pela consolidação das instituições que transformam a Europa num Estado fechado contra a democracia e os direitos sociais. Mas talvez impressione mais que essa derrota tem sido marcada pela falta de combate ideológico, pela falta de ambição para a redefinição de um programa socialista, pela falta de ideias e de debate sobre os caminhos de resposta e de contra-ofensiva. A esquerda está prostrada.
Francisco Louçã, O sectarismo, um fantasma que ameaça a esquerda
Louça é o maior Tribuno da República, sem duvida a figura política que mais tem contribuído para um virar de página no actual regime, mas (e os amigos não são só para prestar vassalagem…) de momento anda estrategicamente desorientado, não se vislumbram no seu pensamento respostas para o momento actual, nem lucidez na sua análise. É pena, contudo também acho que nenhuma personagem isolada (ou mesmo movimento) tem o monopólio da razão. Espero sinceramente que consiga recuperar o seu faro político, se não então que do mal, o menos e que o movimento não fique tolhido devido aos “vacilanços” do seu mais estimado líder.
Voltando ao centro das convulsões, o Iraque, chamo a atenção que para além da propaganda, de facto, os EUA, por várias tácticas têm conseguido gerir melhor o problema, no entanto o vespeiro onde se meteram e criaram é de tal forma poderoso que rompe por vários lados! Se não são os Sunitas e o pau para todas as justificações, a Al-Quaeda, é a difícil escolha entre Turcos e Curdos. Podem escolher apoiar-se no Xiismo oficial mas esse xiismo é telecomandado a partir de Teerão. O Mahdi, o Messias islamo-nacional-populista é o que mais independência tem de Teerão, mas também de Washington… O Império encontrou uma equação de resolução deveras complicada se não parte de um lado fractura do outro. Pensando ter acalmado suficientemente a insurgência sunita, os EUA e seus fantoches (espera mas os fantoches nem são deles! São do Irão lol) viram-se para o alvo nº 2, o movimento do Mahdi. Veremos qual o desfecho… Uma coisa é certa os EUA só livrarão a face se tiver grande colaboração de os vizinhos do Iraque, Irão, Síria, Turquia, Arábia Saudita, Jordânia, Kwait, mas primeiro têm de ter vontade de fazerisso e pagar o preço, segundo mesmo que queiram vai ser difícil conciliar interesses tão dispares, lá voltamos à tal equação difícil…
Mesmo que a suposta estabilidade resultante do reforço das tropas fosse permanente, esta guerra já produziu consequências que afectaram o processo histórico de maneira decisiva. Mas os sinais indicam que a procissão ainda vai no átrio…
PS - People metam etiquetas nos vossos Posts e Rui quem é que preferias ter na Casa Branca daqui a uma ano?
Um falcão na onda Reagan, ou o Obama? Eu não tenho dúvidas, quero alguém que vá vacilar e que na pior das hipóteses seja uma fraude relativamente à vontade popular e a manter a ocupação que o faça de forma ilegitima. O pior neste momento era dar carta branca e caução popular ao militarismo made in USA. Nos momentos críticos a legitimidade não é tudo, mas conta muito mais do que muitos pensam...
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Francisco
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quarta-feira, 26 de março de 2008
Eles andam aí
O Washington Post publicou em Outubro de 2007 uma lista dos conselheiros para a política externa de cada um dos candidatos a candidato à Casa Branca. De notar que os dois gurus da supremacia imperialista americana Henry Kissinger e Zbignew Brzezinski, estão a dar conselhos respectivamente a John McCain e Barack Obama. A lista é uma leitura que dá que pensar, sobretudo para que pensa que a eleição pode trazer alguma nova era na política externa da Casa Branca. Isto é só para abrir o apetite. Em breve publicarei mais informação sobre as políticas dos candidatos democratas. Sobre John McCain não vale a pena, já se sabe que é o continuador da linha neoconservadora.
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Rui Borges
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terça-feira, 25 de março de 2008
A história das eleições americanas
Cartoon tirado da ZNet.
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segunda-feira, 24 de março de 2008
We don't do body counts
Digo Eu (Rack): Pensava que ele estava no Iraque
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quarta-feira, 19 de março de 2008
América alternativa
Bombardeámos Hiroshima, bombardeámos Nagasaki, matámos muito mais do que os milhares que morreram em Nova Iorque e no Pentágono e ne sequer pestanejámos. Apoiámos terrorismo de estado contra os palestinianos e os negros sul-africanos, e agora estamos indignados porque aquilo que fizemos lá fora está a ser devolvido aqui às nossas portas. O feitiço americano voltou-se contra o feiticeiro.
São estas algumas das palavras da última polémica das primárias democratas. Foram proferidas pelo padre Jeremiah Wright pouco depois do 11 de Setembro, são um verdadeiro ultraje para o politicamente correcto americano e têm sido trazidas para a comunicação social para embaraçar a candidatura de Obama. Obama não se deixou embaraçar, denunciou qualquer comentário que possa denegrir a Nação e Wright afastou-se (ou foi afastado, não se sabe ao certo) do grupo dos apoiantes da sua candidatura.
Quem não deixa impressionar com os ataques ao bom nome da Nação é Cindy Sheehan, a mãe de uma soldado americano morto no Iraque e que após a morte do filho se tornou uma das mais importantes activistas do movimento anti-guerra. Num interessante texto dá o seu apoio às palavras do padre Wright. O texto é ainda mais interessante porque Sheehan decidiu candidatar-se ao Congresso americano nas eleições de Novembro concorrendo contra Nancy Pelosi, a actual presidente da Câmara de Representantes.
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Rui Borges
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segunda-feira, 17 de março de 2008
Estrondoso suceso da ocupação!

Ao fim de 5 anos, a ocupação do Iraque começa a dar os seus frutos. Os resultados são palpáveis e só esquerdistas obstinados os podem ignorar. A notícia é oficial, está no site do Department of Defence, o ministério da defesa americano. Na localidade de Abu Lukah a produção dos aviários da terra regressou a niveis semelhantes aos da época pré-invasão.
A imagem ao lado é uma foto do Pentágono de ternurentos e autênticos pintainhos iraquianos gratos pela estabilidade que finalmente regressou ao país.
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Rui Borges
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sexta-feira, 14 de março de 2008
Obama, Medo e Esperança
De qualquer das formas à que não menosprezar o potencial da sua candidatura e sentido geral da sua campanha. Primeiro no que concerne às medidas concretas propostas há que fazer a comparação com o estado actual da política Norte-Americana e não qualquer mundo ideal imaginário. A pergunta não é se Obama rompe com todas as contradições da sociedade dos EUA pela esquerda, já sabemos que não. A questão é se consegue abrir campo para essas transformações? Creio que sim, pelo menos muito mais do que se fosse Mcain a ganhar as eleições…
Dito de outra forma, não é indiferente Barak Hussein Obama ser negro, filho de imigrante e ter votado contra a intervenção dos EUA no Iraque. Não é indiferente propor mudanças no sistema de saúde, não é indiferente mobilizar vastas camadas populares (sobretudo jovens) que estavam antes alheadas da política, não é indiferente ancorar a sua campanha na Esperança.
Aliás a Esperança é para mim a base de qualquer projecto progressista, a Esperança de que é possível mais e melhor e não estamos condenados ao status quo, bem diferente do medo, um dos principais aliados da reacção e das classes possidentes, o medo do diferente, do comunista, do terrorista… Claro que o medo é um sentimento poderosíssimo e a direita não detém o seu copyright, aliás em determinadas circunstâncias históricas, tal como na vida, é mais do que justificável… Foi o medo sentido pelos Franceses, nomeadamente os parisienses, justamente fundado na declaração do Duque de Brunswick que impeliu o povo para uma das mais épicas e determinantes jornadas da história da humanidade, que culminou no fim do feudalismo e na emergência da modernidade. Foi também o medo de Kornilov primeiro e do regresso da servidão depois que colocou a população russa firmemente do lado da Revolução de Outubro. Mas o projecto pelo qual quer Jacobinos (num sentido lato), quer Bolsheviques se bateram era de emancipação e esperança, esperança num outro mundo, esperança de que era possível organizar a vida de outra forma mais Justa, Livre e Igual. Que não tem nada a ver com o amedontrar a população com espantalhos para que esta não se mobilize e ponha em causa os interesses instituídos. Yes we can, não é de menosprezar e para manter a veia heterodoxa bem viva, não resisto a aconselhar este bom texto de, sim o belzebu de uma certa extrema-esquerda, Daniel Oliveira.
Dito isto e voltando ao início, não será Obama, qual Prometeu, que entregará a tocha da sabedoria e com ela irá iluminar o povo a caminho do socialismo. Será o movimento popular, o movimento contra a guerra, os cidadãos em luta por condições mínimas de vida, os movimentos de imigrantes e trabalhadores, que poderão impor a paz e outro tipo de políticas. O que é certo é que uma vitória de Obama daria alento a esses sectores e deixaria uma porta aberta para, então sim, reais mudanças. A questão é saber depois aproveitar essa brecha…
Se estivesse nos EUA saberia em quem iria votar.
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Francisco
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quinta-feira, 13 de março de 2008
Fallon's fall
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Rui Borges
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domingo, 9 de março de 2008
Obama e a Palestina: o homem que não vai mudar coisa nenhuma
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Rui Borges
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21:57
Labels: EUA, Médio Oriente







